A transmissora ISA Energia (ISAE3) registrou lucro líquido de R$ 550 milhões no terceiro trimestre de 2025, alta de 27,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho foi impulsionado pela dedutibilidade fiscal dos Juros sobre Capital Próprio (JCP) e pela redução de custos operacionais, mesmo diante da queda na receita e no Ebitda.
Além disso, a empresa, controlada pelo grupo colombiano ISA, anunciou distribuição intercalar de R$ 445 milhões em JCP, referentes ao primeiro semestre de 2025. O valor equivale a R$ 0,674997 por ação para ambas as classes.
Receita e resultado operacional
A receita líquida somou R$ 1,07 bilhão, o que representa uma queda de 9,1% frente ao terceiro trimestre de 2024. Segundo a companhia, o recuo ocorreu devido à redução do componente financeiro da RBSE, sigla para Rede Básica do Sistema Existente. Esse mecanismo corresponde a uma indenização regulatória paga a transmissoras de energia pela utilização de ativos antigos.
Mesmo com essa pressão, a ISA conseguiu manter eficiência operacional. A margem Ebitda avançou 1,6 ponto percentual, atingindo 82,9%. O Ebitda consolidado, contudo, recuou 7,3%, totalizando R$ 888,5 milhões.
De acordo com o diretor-presidente da empresa, Rui Chammas, a gestão eficiente e a disciplina na execução estratégica ajudaram a compensar os efeitos negativos da RBSE. Ademais, a companhia avançou na energização de projetos de reforços, melhorias e novos empreendimentos (greenfield) — termo que se refere a instalações construídas do zero.
Investimentos e endividamento
Os investimentos (CapEx) aumentaram 38,9%, alcançando R$ 1,2 bilhão no trimestre. A maior parte dos recursos foi direcionada a novos projetos. Entre eles, destaca-se o projeto Serra Dourada, que recebeu licença parcial (60%) de instalação e prevê 1.093 quilômetros de linhas de transmissão. O investimento total é de R$ 3,16 bilhões, com Receita Anual Permitida (RAP) estimada em R$ 322 milhões.
Além desse projeto, a empresa também concluiu sua 19ª emissão de debêntures, no valor de R$ 580 milhões. O vencimento médio é de cerca de dez anos, com custo de IPCA + 6,7% ao ano. Dessa forma, a companhia reforça sua estrutura de capital e garante financiamento de longo prazo para novos investimentos.
A dívida líquida cresceu 35,2% na comparação anual, totalizando R$ 12,9 bilhões. O custo médio nominal é de 13,14% ao ano, com prazo médio de 7,4 anos. Além disso, o índice Dívida Líquida/Ebitda ficou em 3,44 vezes, refletindo o ciclo intensivo de investimentos da empresa.
Perspectivas e sustentabilidade
O reajuste tarifário 2025/2026 atualizou a Receita Anual Permitida (RAP) com base na variação do IPCA de 5,32%. Essa atualização deve contribuir para sustentar as margens da companhia nos próximos trimestres.
Além do desempenho financeiro, a ISA reforçou seu compromisso com a sustentabilidade. A empresa mantém a meta de atingir emissões líquidas zero (Net Zero) até 2050, com redução de 90% nas emissões de gases de efeito estufa (GEE). Para garantir transparência nesse processo, as ações ambientais e sociais são supervisionadas pelo Comitê Ambiental, Social e de Governança (ASG).
Por outro lado, o aumento do endividamento indica que o ritmo de investimentos deve continuar elevado no curto prazo. Ainda assim, o cenário regulatório e o reajuste tarifário ajudam a equilibrar o fluxo de caixa e a manter previsibilidade nas receitas.
Desempenho no mercado
No mercado de capitais, a ISA Energia encerrou o trimestre com valor de mercado de R$ 18 bilhões. As ações ISAE3 fecharam cotadas a R$ 31,32, alta de 3,3% no período. Já os papéis ISAE4 avançaram 6,4%, para R$ 24,67.
Ademais, o free float — percentual de ações em circulação — atingiu 64,2%, o que assegura liquidez elevada aos papéis e reforça o interesse de investidores institucionais.






























