O Banco do Brasil (BBAS3) disse que só avaliará a eventual distribuição de dividendos extraordinários ao final de 2026, informou o CFO Geovanne Tobias em teleconferência dos resultados do 3º trimestre de 2025. A decisão foi justificada pela queda do lucro e pela pressão na carteira de crédito, sobretudo no agronegócio. Assim, a prioridade da gestão é recompor a rentabilidade antes de retomar pagamentos extraordinários.
Resultados e cenário atual
No 3º trimestre (3T25), o banco registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,8 bilhões, estável frente ao 2T25, porém cerca de 60% menor que no 3T24. Além disso, o retorno sobre o patrimônio (ROE) caiu para aproximadamente 8,4%, bem abaixo de níveis históricos.
A instituição revisou para baixo a projeção de lucro ajustado para 2025, agora entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões. Antes, a estimativa era de R$ 21 bilhões a R$ 25 bilhões.
Os fatores que pressionaram o resultado foram o aumento da inadimplência acima de 90 dias (4,93%) e a elevação do custo de crédito, que atingiu R$ 17,9 bilhões no trimestre (+12,7% t/t). No agronegócio, a inadimplência ficou em 5,34%, segundo o banco. Portanto, essa combinação dificultou a recuperação de margens.
Sinalização sobre dividendos extraordinários
Na teleconferência, o CFO Geovanne Tobias disse que a decisão dependerá de três variáveis: rentabilidade, nível de capital e cenário regulatório a partir de 2027. Segundo ele, “será no fim de 2026” o momento de avaliar se vale distribuir um dividendo extraordinário ou reforçar a base de capital.
Tobias também explicou que o payout foi reduzido para 30% em 2025, ante cerca de 45% anteriormente. Assim, a diretoria vê 2025 como um ano de ajuste e aponta 2026 como o de recuperação da rentabilidade. Contudo, a retomada depende da evolução das medidas voltadas ao agronegócio e da efetividade das renegociações.
Implicações para investidores
Para acionistas, a posição do banco traz ao menos três consequências:
- menor rendimento imediato, pois o dividend yield esperado para 2025 caiu para cerca de 4%–5%;
- menor risco de diluição, já que priorizar capital reduz a necessidade de medidas que comprometam a estrutura financeira;
- necessidade de paciência; a recuperação plena dependerá de melhora na carteira agro e do efeito da MP 1.314/25 sobre renegociações rurais.
Por outro lado, analistas notam que os múltiplos atuais já refletem desconto no preço, mas lembram que a qualidade do ROE e o nível de provisões exigem vigilância.
Panorama e desdobramentos
O agronegócio representa parcela relevante da carteira expandida do banco. Assim, a instituição segue exposta a safra, clima, preços de commodities e riscos regulatórios. A direção espera ver uma inflexão na inadimplência a partir do 1º trimestre de 2026, com a implementação da MP 1.314/25 e dos programas de renegociação.
Se provisões e rentabilidade melhorarem, a diretoria poderá rever a posição sobre proventos extraordinários. Caso contrário, o reforço de capital deverá prevalecer.
Conclusão
A sinalização do CFO deixa claro que não haverá definição sobre dividendos extraordinários antes do fim de 2026. Em vez disso, o banco escolherá recompor capital e rentabilidade. Portanto, investidores que buscam rendimento devem ajustar expectativas para um horizonte mais longo.






























