O reajuste do salário mínimo previsto para 2026 deve gerar um impacto adicional de R$ 4,28 bilhões nas despesas das prefeituras brasileiras. A estimativa é da Confederação Nacional de Municípios (CNM). O cálculo busca orientar o planejamento fiscal dos governos locais.
O novo valor do piso nacional deve alcançar R$ 1.621, após aumento de R$ 103. Com isso, os gastos com pessoal tendem a crescer. Principalmente porque parte relevante dos servidores recebe salários próximos ao mínimo.
Planejamento fiscal ganha centralidade com novo piso salarial
Segundo a CNM, o reajuste do salário mínimo exige atenção redobrada dos gestores municipais. Isso ocorre porque o piso nacional serve como referência para salários, aposentadorias e pensões. Dessa forma, o impacto vai além da folha ativa.
Além disso, a entidade recomenda a revisão das projeções orçamentárias. É necessário incluir o novo patamar remuneratório nas despesas vinculadas. Entre elas estão encargos sociais e benefícios legais.
Nesse cenário, o cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) torna-se ainda mais relevante. A legislação estabelece limites para gastos com pessoal. Portanto, ajustes preventivos reduzem riscos fiscais.
Estados concentram maior número de servidores na faixa afetada
O impacto do reajuste não ocorre de maneira uniforme no país. Conforme dados analisados pela CNM, Minas Gerais, Bahia e Ceará concentram mais servidores na faixa de até 1,5 salário mínimo.
Juntos, esses estados representam cerca de 32% do total nacional nessa faixa salarial. Por esse motivo, o planejamento financeiro nessas regiões precisa ser mais rigoroso. Caso contrário, o impacto pode comprometer o equilíbrio das contas locais.
Minas Gerais lidera impacto financeiro entre os estados
As projeções indicam que Minas Gerais deve registrar o maior impacto anual em 2026. O custo adicional estimado é de R$ 537,9 milhões. Em seguida aparecem a Bahia, com R$ 452,6 milhões, e o Ceará, com R$ 356,9 milhões.
Esses valores refletem o volume de servidores e a estrutura administrativa dos municípios. Ademais, indicam maior dependência do salário mínimo como referência salarial.
Efeito no caixa municipal será sentido a partir de fevereiro
Embora o novo salário mínimo entre em vigor em janeiro de 2026, o impacto financeiro direto tende a aparecer em fevereiro. Isso ocorre com o pagamento da primeira folha ajustada.
Enquanto isso, muitos municípios processam a folha de janeiro sem efeito imediato no caixa. Por essa razão, a CNM alerta para planejamento de curto prazo. Assim, evita-se desequilíbrio temporário de caixa.
Municípios pequenos enfrentam maior vulnerabilidade
O estudo mostra que os municípios de pequeno porte são os mais vulneráveis ao reajuste. Nessas cidades, mais servidores recebem salários próximos ao piso. Como resultado, o aumento pesa mais sobre a receita disponível.
Por outro lado, municípios maiores costumam absorver melhor o impacto. Ainda assim, a entidade recomenda cautela em todos os portes administrativos.
Crescimento do quadro de servidores amplia impacto
A estimativa considera a expansão contínua do quadro de pessoal municipal. Dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) confirmam essa tendência. Entre 2019 e 2023, os vínculos passaram de 6,9 milhões para 8,3 milhões.
Desse total, cerca de 2,1 milhões recebem até 1,5 salário mínimo. Portanto, esse grupo será o mais afetado pelo reajuste de 2026. Esse crescimento ajuda a explicar o impacto projetado.






























