O Ibovespa bateu recorde histórico nesta quinta-feira (15) ao superar, pela primeira vez, a marca dos 166 mil pontos. O movimento foi impulsionado pelo avanço das ações de bancos, por dados positivos do varejo e por um ambiente externo mais favorável. Durante o pregão, o índice atingiu 166.069,84 pontos na máxima intradia e encerrou o dia com alta de 0,26%, aos 165.568,32 pontos, novo recorde nominal de fechamento.
O desempenho ocorreu em meio à entrada de capital estrangeiro e à redução da aversão ao risco global. Além disso, indicadores econômicos domésticos reforçaram a leitura positiva do mercado. O volume financeiro negociado somou R$ 27,8 bilhões, indicando forte participação de investidores institucionais.
Fluxo externo e eleições sustentam o Ibovespa
No cenário internacional, os mercados reagiram ao recuo da retórica dos Estados Unidos em relação ao Irã. Ademais, o presidente Donald Trump sinalizou que não pretende interferir na liderança do Federal Reserve (Fed). Essas declarações reduziram incertezas institucionais e favoreceram ativos de risco, sobretudo em mercados emergentes.
Em Nova York, os principais índices fecharam em alta. O Dow Jones subiu 0,60%, enquanto o S&P 500 avançou 0,26%. Já o Nasdaq registrou ganho de 0,25%, com destaque para ações do setor bancário e de semicondutores. O movimento ocorreu após balanços acima do esperado e projeções otimistas para investimentos em inteligência artificial.
No Brasil, o noticiário político também esteve no radar. Declarações de pré-candidatos à Presidência e pesquisas indicando maior equilíbrio eleitoral ajudaram a reduzir prêmios de risco. Historicamente, esse fator tem peso relevante na precificação dos ativos locais.
Varejo surpreende e reforça leitura positiva da economia
No campo dos indicadores, as vendas no varejo cresceram acima das expectativas em novembro, impulsionadas pela Black Friday. O resultado reforçou a percepção de resiliência do consumo, mesmo em um ambiente de juros elevados.
Segundo economistas, programas de transferência de renda, expansão da renda real e crédito consignado continuam sustentando a demanda. Como consequência, ações ligadas ao consumo figuraram entre as maiores altas do pregão. Magazine Luiza liderou os ganhos no setor.
Bancos lideram ganhos e mercado afasta risco sistêmico
Entre os principais papéis do índice, o avanço das ações de bancos foi determinante para o novo recorde do Ibovespa. Bradesco e Itaú subiram cerca de 2%, acompanhados por outras instituições financeiras.
Enquanto isso, investidores avaliaram os desdobramentos da liquidação extrajudicial da corretora Reag Trust, determinada pelo Banco Central. Ainda assim, analistas destacaram que o episódio não representa risco sistêmico ao sistema financeiro. O caso segue tratado como isolado.
Vale oscila e Petrobras recua com queda do petróleo
Por outro lado, as ações da Vale oscilaram ao longo do pregão e fecharam próximas da estabilidade. O movimento acompanhou a queda dos contratos futuros do minério de ferro na China.
Já a Petrobras encerrou o dia em baixa. A estatal foi pressionada pelo recuo expressivo dos preços do petróleo no mercado internacional. O Brent caiu mais de 4%, após sinais de redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Assim, parte do prêmio de risco acumulado nas sessões anteriores foi desfeito.
Smart Fit lidera perdas do dia
Na ponta negativa do índice, as ações da Smart Fit registraram queda acentuada. O movimento refletiu expectativas de margens mais apertadas ao longo do ano.
De acordo com o mercado, declarações recentes de executivos indicaram um tom mais cauteloso em relação à expansão da rentabilidade. Isso acabou pressionando os papéis da empresa.
Dólar cai com entrada de recursos no Brasil
No mercado de câmbio, o dólar à vista encerrou o dia em queda de 0,61%, cotado a R$ 5,36. O movimento interrompeu uma sequência de três altas consecutivas.
Embora a moeda norte-americana tenha avançado frente a divisas fortes no exterior, o real se valorizou. Esse comportamento refletiu a entrada de recursos no Brasil e o aumento do apetite por risco. O índice DXY subiu 0,24%, indicando que o movimento foi influenciado por fatores domésticos.






























