O Banco de Brasília (BRB) afirmou nesta segunda-feira (19) que tem capacidade para recompor seu capital caso confirme prejuízos ligados a operações financeiras sob apuração. Ao mesmo tempo, a crise do Banco Master avança em diferentes frentes, envolvendo investigações no Banco Central, decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e iniciativas no Congresso Nacional.
BRB descarta insuficiência patrimonial e nega ordem de aporte
Em nota, o BRB informou que não enfrenta insuficiência patrimonial. Além disso, declarou manter um plano de capital voltado a cenários de estresse, que ainda não foi acionado. Segundo a instituição, nenhum órgão regulador determinou aporte de capital até o momento.
A manifestação ocorreu após reportagens relatarem discussões no Banco Central sobre impactos de operações envolvendo o Banco Master. Nesse contexto, a instituição privada entrou em liquidação extrajudicial em novembro. Em termos práticos, esse mecanismo é adotado quando um banco perde a capacidade de cumprir suas obrigações financeiras e passa à administração do regulador.
Ainda assim, o BRB já admitiu a possibilidade de aporte do controlador. De acordo com o banco, se confirmar prejuízos, poderá recorrer a instrumentos de capitalização. Entre as alternativas, está a contribuição direta do governo do Distrito Federal.
Operações com o Banco Master seguem sob análise
As apurações concentram-se em investimentos feitos antes da liquidação do Banco Master. Sobre esse ponto, em acareação no fim do ano passado no STF, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, afirmou que o banco não recuperou cerca de R$ 2 bilhões aplicados na instituição privada.
Anteriormente, em março do ano passado, o BRB apresentou proposta para comprar parte do Banco Master. No entanto, o Banco Central vetou a operação em setembro. Atualmente, segundo o banco estatal, o valor final de possíveis perdas segue em análise técnica.
O BRB informou que atua diariamente em conjunto com o Banco Central. Ademais, declarou que todas as operações ligadas à Operação Compliance Zero integram uma investigação forense independente. Esse trabalho, por sua vez, está sob responsabilidade do escritório Machado Meyer, com apoio técnico da consultoria Kroll.
STF bloqueia bens de Nelson Tanure
No campo judicial, a crise do Banco Master avançou com mais um desdobramento. O ministro Dias Toffoli, do STF, autorizou o bloqueio e o sequestro de bens do empresário Nelson Tanure. A medida, nesse caso, atendeu a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Polícia Federal.
Tanure figura entre os investigados na segunda fase da Operação Compliance Zero. Segundo as autoridades, o objetivo é alcançar um valor estimado em R$ 5,7 bilhões. Para a Polícia Federal, há indícios de que o empresário teria atuado como sócio oculto do banco, por meio de fundos e estruturas societárias complexas.
Em contraponto, a defesa negou qualquer vínculo societário. Em nota, os advogados afirmaram que Tanure manteve apenas relação comercial como cliente. Diante disso, informaram que apresentarão documentos para pedir a revisão da decisão.
Congresso amplia pressão por investigação
Paralelamente, o caso também avançou no Legislativo. O Senado reuniu assinaturas suficientes para instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o Banco Master. O requerimento, apresentado pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE), conta com 42 apoios.
Com isso, aumentou a pressão sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Além da CPI, ele analisa pedidos para a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI). Nesse formato, a abertura depende de leitura em sessão do Congresso Nacional.
Na Câmara dos Deputados, outras propostas seguem em fase de coleta de assinaturas. Dessa forma, o avanço simultâneo das frentes regulatória, judicial e parlamentar mantém o caso no centro do debate institucional.






























