O Banco do Brasil (BBAS3) aprovou a distribuição de 30% do lucro líquido aos acionistas no exercício de 2026, por meio do pagamento de juros sobre o capital próprio (JCP) e/ou dividendos. O Conselho de Administração tomou a decisão e a comunicou ao mercado nesta segunda-feira (19), por meio de fato relevante.
Além de definir o payout, o banco também estabeleceu o calendário de remuneração, que contará com oito pagamentos ao longo do ano. A política segue as regras internas de distribuição de resultados e considera critérios financeiros, operacionais e de gestão de risco.
Resultados, riscos e estratégia orientaram a decisão
De acordo com o Banco do Brasil, a definição do payout levou em conta o desempenho financeiro recente, a posição de capital e as projeções para os próximos exercícios. Ademais, o banco avaliou a Declaração de Apetite e Tolerância a Riscos, documento que define os limites de risco aceitos pela instituição.
Além disso, a administração considerou as condições dos mercados em que o banco atua e as oportunidades de investimento. O objetivo, segundo o comunicado, consiste em preservar a capacidade operacional e sustentar o crescimento das atividades.
O percentual de 30% mantém o patamar adotado após a revisão feita em 2025. Naquele momento, o banco reduziu o payout, que antes variava entre 40% e 45% do lucro, após o aumento da inadimplência, sobretudo no agronegócio, que pressionou os resultados do segundo trimestre.
O que significa payout
O payout indica a parcela do lucro líquido que uma empresa distribui aos seus acionistas. No setor bancário, esse indicador ganhou relevância porque reflete não apenas a rentabilidade, mas também a capacidade de absorver riscos e financiar operações futuras.
Por esse motivo, investidores acompanham o payout de perto, já que ele sinaliza o equilíbrio entre remuneração ao acionista e preservação de capital.
Calendário prevê oito pagamentos em 2026
O Banco do Brasil organizará a remuneração aos acionistas em oito fluxos ao longo de 2026. Desse total, quatro pagamentos ocorrerão de forma antecipada, enquanto os outros quatro serão complementares, após o fechamento dos resultados trimestrais.
Os pagamentos antecipados acontecerão nas seguintes datas:
- 11 de março de 2026, referente ao primeiro trimestre;
- 11 de junho de 2026, referente ao segundo trimestre;
- 11 de setembro de 2026, referente ao terceiro trimestre;
- 10 de dezembro de 2026, referente ao quarto trimestre.
Já os pagamentos complementares ocorrerão em:
- 11 de junho de 2026;
- 11 de setembro de 2026;
- 4 de dezembro de 2026;
- 10 de março de 2027, conforme o trimestre de referência.
Com esse modelo, o banco antecipa parte da remuneração ao longo do exercício e ajusta os valores após a consolidação dos resultados.
JCP pode sofrer tributação
Quando a distribuição ocorrer por meio de juros sobre o capital próprio, o Banco do Brasil pagará os valores de forma bruta. Nesse caso, haverá incidência de tributos, conforme prevê a legislação. Diferentemente dos dividendos, o JCP sofre retenção de imposto na fonte para pessoas físicas.
A escolha entre JCP e dividendos dependerá das condições fiscais e da estratégia financeira ao longo do ano.
Reflexos para investidores
A definição do payout deve influenciar a avaliação dos investidores, especialmente daqueles que priorizam renda recorrente. O percentual indica uma postura mais cautelosa diante do cenário econômico e do comportamento do crédito.
Ainda assim, o detalhamento do calendário traz previsibilidade, fator que costuma pesar na análise das ações do setor financeiro.






























