O governo federal publicou decretos que autorizam a desapropriação de fazendas para reforma agrária em cinco estados brasileiros, totalizando 5.554 hectares de áreas rurais. As medidas, assinadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, constam no Diário Oficial da União (DOU) e atingem imóveis localizados em São Paulo, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte e Minas Gerais.
Segundo os atos, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) ficará responsável pela execução do processo. A autarquia federal conduz a política fundiária e operacionaliza o Programa Nacional de Reforma Agrária (PNRA).
Onde estão as áreas desapropriadas
As desapropriações abrangem imóveis rurais distribuídos em diferentes regiões do país. No Rio Grande do Norte, o decreto alcança a Fazenda Floresta, com 909 hectares. Já no Mato Grosso, as Fazendas Santa Cecília I e II concentram a maior parte da área, somando 2.384 hectares.
No Rio Grande do Sul, o governo incluiu o Horto Florestal CESA Vitória das Missões, com 121 hectares. Em São Paulo, por sua vez, três imóveis integram a medida: a Fazenda Santa Fé, com 404 hectares; a Fazenda Cascimba, com 76 hectares desapropriados de um total de 1.705 hectares; além da Fazenda Três Irmãos, com 504 hectares.
Por fim, em Minas Gerais, a Fazenda Nova Alegria responde por 1.156 hectares. Assim, a soma das áreas chega a 5.554 hectares, que passarão a integrar o estoque de terras destinadas à política de reforma agrária.
Como funciona o processo de desapropriação
O Incra ficará encarregado de todas as etapas administrativas do procedimento. Inicialmente, o órgão realiza a avaliação técnica dos imóveis. Em seguida, define as indenizações previstas em lei aos proprietários. Posteriormente, destina as áreas às famílias beneficiadas.
A legislação brasileira autoriza a desapropriação de imóveis rurais que não cumprem a função social da propriedade. Esse conceito considera critérios como nível de produtividade, preservação ambiental, respeito às leis trabalhistas e uso adequado dos recursos naturais.
Justificativa apresentada pelo governo
De acordo com o governo federal, a desapropriação de fazendas para reforma agrária integra uma política pública de caráter redistributivo. O Executivo afirma que a iniciativa busca reduzir desigualdades históricas no acesso à terra e estimular o desenvolvimento do meio rural.
Em nota oficial, o Planalto declarou que o acesso à terra produtiva representa um ponto inicial para a inclusão socioeconômica das famílias atendidas pelo PNRA. Além disso, o governo ressalta que a política deve vir acompanhada de ações complementares, como crédito rural, assistência técnica e infraestrutura.
Objetivos sociais e econômicos da medida
Segundo o Executivo, os decretos atendem a diversos objetivos de interesse público. Entre eles, estão o fortalecimento das políticas de combate à fome, a ampliação da produção de alimentos e a redução das desigualdades regionais.
Ao mesmo tempo, o governo avalia que a redistribuição de terras pode gerar impactos positivos nas economias locais. Dessa forma, novos assentamentos tendem a estimular a produção agrícola e a geração de renda em regiões com menor dinamismo econômico.
Próximos passos após os decretos
Apesar da publicação dos decretos, o processo ainda depende de etapas administrativas e jurídicas. A partir de agora, o Incra deverá definir o cronograma das desapropriações e o número de famílias que serão assentadas. Até o momento, essas informações não foram divulgadas.
Enquanto isso, o tema deve permanecer no centro do debate público, especialmente em meio às discussões sobre política agrícola, produção de alimentos e uso da terra no Brasil.






























