A fintech brasileira PicPay, controlada pela família Batista, precificou sua oferta pública inicial de ações (IPO) no topo da faixa indicativa e levantou US$ 434 milhões em sua estreia na Bolsa de Nova York. A operação ocorreu nesta semana, com ações vendidas a US$ 19 cada, valor máximo previsto no processo de precificação.
A abertura de capital marca o retorno de empresas brasileiras ao mercado acionário dos Estados Unidos após quase quatro anos sem novas listagens. Além disso, o movimento ocorre em um cenário de maior cautela global com ativos de mercados emergentes.
IPO do PicPay retoma presença brasileira em Nova York
A oferta envolveu a venda de aproximadamente 22,86 milhões de ações. Inicialmente, o PicPay indicou uma faixa de preços entre US$ 16 e US$ 19 por papel. Com a definição no limite superior, a empresa alcançou uma avaliação de mercado estimada entre US$ 2,2 bilhões e US$ 2,6 bilhões, segundo fontes do mercado financeiro.
O IPO do PicPay representa a primeira grande estreia de uma empresa brasileira nos Estados Unidos desde dezembro de 2021. Na ocasião, a Nu Holdings, controladora do Nubank, abriu capital na Bolsa de Nova York. Atualmente, a fintech de David Vélez possui valor de mercado em torno de US$ 90,7 bilhões, conforme dados públicos.
Acesso a investidores globais impulsiona decisão
Segundo participantes do mercado ouvidos pela Bloomberg, a listagem nos Estados Unidos amplia o acesso a investidores institucionais globais. Esse fator pesa especialmente em períodos de maior seletividade nos mercados emergentes.
Por outro lado, manter uma empresa listada em bolsas norte-americanas envolve custos mais elevados. Entre eles estão exigências regulatórias rigorosas e despesas adicionais de governança. Ainda assim, o mercado dos EUA segue como uma vitrine relevante para companhias com planos de expansão.
Dessa forma, a abertura de capital tende a facilitar futuras captações e a diversificar as fontes de financiamento da fintech.
Evolução do PicPay e consolidação como banco digital
Fundado em 2012 como uma carteira digital, o PicPay ampliou suas operações ao longo dos anos. Com o tempo, passou a atuar como um banco digital completo. Atualmente, a empresa oferece contas, cartões, crédito, investimentos e serviços de pagamento.
Em 2015, a J&F, holding dos irmãos Batista, adquiriu a fintech. Desde então, o PicPay acelerou sua expansão no mercado brasileiro. Hoje, soma cerca de 67 milhões de clientes no país.
Com esse número, a empresa ocupa a posição de terceiro maior banco digital do Brasil em base de clientes. O grupo J&F também controla a JBS, principal ativo do conglomerado.
Resultados financeiros sustentam interesse dos investidores
Os resultados recentes ajudaram a sustentar a demanda pelo IPO. Nos nove primeiros meses do ano, o PicPay registrou lucro líquido de R$ 270,4 milhões. No mesmo período do ano anterior, o lucro havia sido de R$ 55,2 milhões.
Ademais, a receita acumulada chegou a R$ 7,26 bilhões. Apenas no terceiro trimestre, o lucro líquido somou R$ 150,8 milhões, enquanto a receita alcançou R$ 3,78 bilhões.
Esses números indicam uma transição para um modelo mais maduro. Ao mesmo tempo, refletem um cenário de competição intensa entre fintechs e bancos digitais.
Expectativas após a abertura de capital
Com a conclusão do IPO, o PicPay passa a integrar um grupo restrito de empresas brasileiras listadas nos Estados Unidos. A expectativa do mercado é que os recursos captados fortaleçam a estrutura de capital da companhia.
Além disso, investidores acompanham a operação como um possível sinal para novas ofertas de empresas brasileiras no exterior. Esse movimento depende, contudo, das condições do mercado global e do apetite por risco.






























