A liquidação extrajudicial do Banco Pleno foi decretada nessa quarta-feira (18) pelo Banco Central do Brasil, após a autoridade identificar deterioração financeira, problemas de liquidez e descumprimento de normas regulatórias. A medida atinge o Banco Pleno S.A. e também a Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários.
O conglomerado possui participação reduzida no Sistema Financeiro Nacional, com cerca de 0,04% dos ativos e 0,05% das captações. Ainda assim, o regulador determinou a retirada imediata da instituição do mercado para proteger credores e preservar a estabilidade financeira.
Além disso, investidores com aplicações elegíveis terão cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, respeitando o limite legal de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.
Por que ocorreu a liquidação extrajudicial do Banco Pleno
O presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, assinou o ato após sucessivas análises técnicas. Segundo o Banco Central, a instituição perdeu capacidade de cumprir exigências regulatórias e enfrentou crescente dificuldade para captar recursos.
O regulador apontou quatro fatores principais:
- deterioração da liquidez;
- comprometimento da situação econômico-financeira;
- descumprimento de normas bancárias;
- desrespeito a determinações do supervisor.
Como consequência, a legislação determina a indisponibilidade de bens de controladores e administradores. Ademais, o processo pode gerar sanções administrativas e comunicações a outros órgãos.
Por enquanto, não há prazo para o encerramento da liquidação. O BC poderá finalizar o processo administrativamente ou, se necessário, encaminhar a instituição para falência.
Como funciona a liquidação extrajudicial de um banco
A liquidação extrajudicial ocorre quando uma instituição não apresenta condições de recuperação. Nesse cenário, o regulador remove o banco do mercado de forma organizada.
Na prática, o processo envolve várias etapas. Primeiro, as operações são interrompidas. Em seguida, todas as obrigações passam a ser consideradas vencidas. Depois disso, um liquidante assume a gestão dos ativos e passivos. Por fim, credores recebem pagamentos conforme a disponibilidade de recursos.
Esse mecanismo busca evitar efeitos em cadeia no sistema financeiro. Portanto, ele atua como instrumento de proteção da estabilidade bancária.
O que acontece com investidores após a liquidação extrajudicial do Banco Pleno
A liquidação extrajudicial do Banco Pleno ativa automaticamente a cobertura do FGC para produtos elegíveis. Entre eles estão:
- CDB;
- conta corrente;
- poupança;
- LCI e LCA;
- RDB e títulos equivalentes.
O limite permanece em R$ 250 mil por CPF ou CNPJ por instituição. Além disso, existe teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos.
Segundo estimativas do fundo, cerca de R$ 4,9 bilhões em depósitos são elegíveis para garantia, distribuídos entre aproximadamente 160 mil credores. Contudo, o pagamento depende da entrega e validação da base de dados pelo liquidante.
Depois dessa etapa, os investidores poderão solicitar o ressarcimento pelo aplicativo do FGC. O sistema exigirá validação de identidade e indicação de conta para crédito dos valores.
Mudanças de controle e trajetória recente do Banco Pleno
O Banco Pleno passou por sucessivas reestruturações antes da liquidação. Em 2019, a instituição adotou a marca Banco Voiter como parte de um reposicionamento estratégico.
Posteriormente, integrou o conglomerado do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. Entretanto, essa estrutura durou pouco tempo.
Em julho de 2025, o controle passou para Augusto Ferreira Lima, operação aprovada pelo Banco Central com exigências de reforço na gestão de riscos e liquidez.
Mesmo com mudanças estratégicas, a instituição manteve forte dependência de captação via depósitos a prazo, principalmente CDBs. Como resultado, o aumento da percepção de risco reduziu a confiança do mercado. A busca por compradores não teve sucesso.
Impactos da liquidação extrajudicial do Banco Pleno no sistema financeiro
Apesar da repercussão, o Banco Central classifica o conglomerado como pequeno. Por isso, o risco de contágio sistêmico permanece limitado.
Por outro lado, o episódio reforça a importância da supervisão prudencial e dos mecanismos de proteção ao investidor. Ademais, especialistas destacam a relevância da diversificação de aplicações e da análise de risco antes de investir em títulos bancários.
Portanto, a liquidação extrajudicial do Banco Pleno funciona como alerta para o mercado financeiro e para investidores individuais.





























