O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou um investimento de R$ 1,05 bilhão para viabilizar a construção de uma ferrovia destinada ao escoamento da produção de celulose da Eldorado Brasil. O projeto foi divulgado nesta semana e envolve a aquisição de títulos e financiamento direto à empresa.
A nova ferrovia terá extensão aproximada de 86,7 quilômetros e ligará a fábrica da Eldorado, localizada em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, a um terminal logístico em Aparecida do Taboado, no mesmo Estado. A partir desse ponto, a carga seguirá por um corredor ferroviário já existente até o Porto de Santos, em São Paulo.
Segundo o BNDES, a iniciativa permitirá substituir cerca de 50 mil viagens de caminhões utilizadas atualmente no transporte da celulose. Dessa forma, a empresa espera reduzir custos logísticos e, ao mesmo tempo, diminuir as emissões de dióxido de carbono associadas ao transporte rodoviário.
Além do impacto ambiental, o banco destaca efeitos econômicos relevantes. Durante a fase de implantação, o projeto deve gerar mais de 3 mil empregos diretos e indiretos. Ainda assim, o impacto principal está na eficiência da cadeia logística da celulose brasileira, um dos setores mais relevantes do agronegócio nacional.
Primeiro projeto sob o regime de autorização ferroviária
O empreendimento marca a estreia do BNDES em projetos ferroviários estruturados sob o regime de autorização. Nesse modelo, a iniciativa privada propõe e executa o projeto, sem a necessidade de licitação pública tradicional. Por outro lado, o governo mantém a supervisão regulatória do sistema.
Esse formato foi criado para ampliar investimentos em infraestrutura e acelerar a expansão da malha ferroviária nacional. Portanto, o projeto da Eldorado passa a funcionar como referência para futuras iniciativas semelhantes.
Estrutura do financiamento
O apoio financeiro do BNDES será dividido em duas frentes. A principal envolve a subscrição de R$ 1 bilhão em debêntures de infraestrutura, instrumento de captação usado para financiar obras de longo prazo. Além disso, o banco concederá R$ 50 milhões por meio da linha Finem, voltada a grandes empreendimentos.
De acordo com a instituição, essa combinação reduz o custo total do financiamento e amplia o acesso ao mercado de capitais. Assim, o banco busca estimular investimentos privados em logística e transporte.
Competitividade da celulose brasileira
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que o projeto contribui para fortalecer a posição do Brasil no mercado global de celulose. Atualmente, o país produz cerca de 24,3 milhões de toneladas por ano, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e da China.
Segundo ele, a melhoria da infraestrutura logística é essencial para sustentar a competitividade do setor. Dessa maneira, a ferrovia tende a reduzir gargalos e aumentar a eficiência do escoamento da produção destinada ao mercado externo.






























