O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou nessa quarta-feira (17) a compra da Wickbold pela mexicana Bimbo. A decisão foi unânime, mas condicionada à venda de marcas importantes para preservar a concorrência no setor de panificação.
Segundo a relatora Camila Pires-Alves, a fusão gera riscos em pães industrializados, tortilhas e wraps, segmentos em que as empresas possuem grande participação. O Cade avaliou que, sem restrições, a operação reduziria a pressão competitiva e aumentaria a concentração de mercado.
Marcas que serão vendidas
A Bimbo terá de vender a marca Nutrella, especializada em pães saudáveis. Já a Wickbold se desfará da marca Tá Pronto!, voltada a tortilhas e wraps. Além disso, a alienação inclui fórmulas, receitas, estoques, materiais promocionais e carteiras de clientes. Dessa forma, o Cade pretende assegurar que os ativos permaneçam competitivos.
Restrições adicionais
Por outro lado, a Bimbo também ficará impedida de usar outras marcas com o nome “Rap10” para tortilhas durante três anos. Além disso, a empresa não poderá firmar contratos de exclusividade para bisnagas e bisnaguinhas no Centro-Oeste. Essas regras evitam reservas de espaço em gôndolas ou exigências de exposição mínima.
O cumprimento será monitorado por um trustee independente, responsável por supervisionar desinvestimentos, distribuição e marketing até a transferência das marcas.
Impacto no mercado
Fundada em São Paulo nos anos 1930, a Wickbold é dona de marcas como Seven Boys e Do Forno. A Bimbo, presente no Brasil desde 2001, controla Pullman, Plusvita, Artesano, Ana Maria e Rap10. Juntas, portanto, as empresas concentram 60% do mercado de pães de forma no Sudeste e 90% do segmento de tortilhas no país, segundo o Cade.
Para a Bimbo, a aquisição amplia o portfólio no maior mercado consumidor da América Latina e fortalece sua presença em pães especiais. O valor do negócio, contudo, não foi divulgado.
Contexto concorrencial
O Cade destacou que o pão industrializado é parte essencial da dieta e do orçamento das famílias. Por esse motivo, avaliou não só o número de concorrentes, mas também fatores como força das marcas, fidelidade do consumidor e alcance logístico. Assim, a decisão busca impedir que a fusão reduza a diversidade de produtos e pressione os preços ao consumidor.






























