A confiança do consumidor brasileiro voltou a subir em dezembro, registrando o quarto avanço mensal consecutivo, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE). O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) aumentou 0,4 ponto no mês, alcançando 90,2 pontos, o maior nível desde dezembro de 2024. Com isso, o indicador sinaliza um ambiente de maior otimismo em relação ao futuro. Ainda assim, a percepção sobre a situação financeira atual das famílias segue fragilizada.
Na média móvel trimestral — indicador que suaviza oscilações pontuais — o ICC avançou 0,9 ponto, para 89,5 pontos. No entanto, a composição do índice revela que a melhora foi sustentada exclusivamente pelas expectativas para os próximos meses. Em contrapartida, a avaliação do momento presente voltou a recuar, indicando que a recuperação ainda não é homogênea.
Expectativas impulsionam o índice
O principal responsável pelo resultado de dezembro foi o Índice de Expectativas (IE), que subiu 1,4 ponto e atingiu 95,2 pontos, o patamar mais elevado em um ano. Nesse contexto, o maior destaque foi a percepção sobre a situação econômica local futura. Esse componente avançou 3,6 pontos, chegando a 108,3 pontos, o maior nível desde setembro de 2024.
Além disso, houve leve melhora nas expectativas relacionadas à situação financeira futura das famílias e à intenção de compra de bens duráveis, como eletrodomésticos e veículos. Dessa forma, os dados indicam que o consumidor passou a enxergar um cenário econômico mais favorável no médio prazo.
Segundo o economista Eduardo Rômullo, o avanço da confiança acompanha um conjunto de fatores observados ao longo dos últimos meses. De acordo com ele, o mercado de trabalho segue aquecido, com taxas de desocupação historicamente baixas. Como resultado, há uma percepção de renda mais estável, o que contribui para uma visão mais positiva das famílias sobre o futuro.
Situação atual segue pressionada
Por outro lado, o Índice de Situação Atual (ISA) recuou 1,4 ponto em dezembro, para 83,4 pontos, interrompendo duas altas consecutivas. A avaliação da situação econômica local no momento presente caiu 1,7 ponto. Ao mesmo tempo, a percepção sobre a situação financeira atual das famílias recuou 1,0 ponto.
Na prática, isso significa que, apesar da redução do pessimismo, muitos consumidores ainda enfrentam dificuldades no curto prazo. Em especial, o orçamento doméstico continua pressionado pelo elevado nível de endividamento e pela inadimplência, fatores que limitam uma melhora mais imediata das condições financeiras.
Para a economista Anna Carolina Gouveia, do FGV IBRE, o resultado revela um cenário de transição. Segundo ela, o consumidor está mais confiante em relação aos próximos meses, sobretudo entre as famílias de menor renda. Esse movimento é impulsionado pelo mercado de trabalho e pelo ganho de poder de compra. Contudo, o endividamento elevado ainda representa um obstáculo relevante para uma recuperação mais consistente.
Recuperação depende de renda e crédito
Por fim, a FGV IBRE avalia que a consolidação da recuperação da confiança do consumidor dependerá de uma melhora mais duradoura da renda disponível. Ademais, será necessário um alívio gradual das condições financeiras das famílias, especialmente no crédito. Enquanto esse processo não se concretiza, a tendência é de avanço moderado do índice, sustentado principalmente pelas expectativas, e não por uma melhora efetiva das condições atuais.






























