O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa Selic em 15% ao ano nesta quarta-feira (5), pela terceira reunião consecutiva. A decisão, tomada por unanimidade pelo Banco Central, mantém os juros no maior nível desde 2006. Além disso, o mercado já esperava a manutenção, mas acompanha sinais sobre quando poderá começar um ciclo de redução.
Segundo o Copom, o cenário econômico permanece marcado por incertezas internas e externas, o que exige cautela na condução da política monetária. Por isso, a instituição avalia que a inflação ainda apresenta resistência, o que demanda juros em patamar significativamente contracionista por um período prolongado.
Riscos que influenciam as decisões sobre juros
O comunicado indica que a inflação segue resistente, especialmente no setor de serviços. Além disso, as expectativas futuras continuam desancoradas — quando o mercado projeta inflação acima da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.
Entre os fatores que podem pressionar a inflação, o Copom destacou:
- desancoragem das expectativas de inflação;
- resiliência da inflação de serviços;
- impacto combinado de políticas econômicas internas e externas, incluindo a possibilidade de câmbio mais depreciado por um período prolongado.
Por outro lado, entre os fatores que podem reduzir a inflação, foram citados:
- desaceleração mais forte da economia doméstica;
- desaceleração global mais intensa;
- queda nos preços de commodities.
Além disso, o Banco Central afirmou acompanhar os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil e os desdobramentos da política fiscal interna, pontos que aumentam a incerteza.
Histórico recente da Selic
O atual ciclo de aperto monetário começou em setembro de 2024, quando a Selic subiu de 10,50% para 10,75%. As altas se estenderam até junho de 2025, quando a taxa atingiu 15%. No entanto, a interrupção do ciclo ocorreu em julho, iniciando a sequência de manutenções.
A próxima reunião do Copom, marcada para dezembro, será a última do ano.
Expectativas de inflação
As projeções do mercado para a inflação de 2025 vêm recuando. De acordo com o Boletim Focus divulgado na segunda-feira (3), a estimativa do mercado para o IPCA caiu para 4,55%.
Entretanto, a projeção do Copom para o mesmo período, apresentada no cenário de referência, é de 4,6%.
A meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, tanto o mercado quanto o Banco Central ainda projetam inflação acima do centro da meta.






























