A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (26) um corte do preço da gasolina de 5,2% no valor de venda da gasolina A às distribuidoras, válido a partir desta terça-feira. Com isso, o preço médio passa a ser de R$ 2,57 por litro. A decisão ocorre em um cenário de preços domésticos acima da paridade internacional e tende a gerar efeitos moderados sobre a inflação e o mercado financeiro.
Segundo a estatal, a redução equivale a R$ 0,14 por litro. Além disso, desde dezembro de 2022, os preços da gasolina para as distribuidoras acumulam queda de R$ 0,50 por litro. Este foi o terceiro ajuste consecutivo para baixo. O último ocorreu em outubro do ano passado, quando a companhia reduziu os valores em 4,9%.
Preços estavam acima da referência internacional
O corte do preço da gasolina da Petrobras ocorre em um momento em que os valores praticados no mercado interno superavam a paridade de importação. Esse indicador compara os preços domésticos com os custos de importação, considerando cotação internacional, câmbio e logística.
De acordo com a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), antes do ajuste os preços da gasolina estavam cerca de 8% acima da referência internacional. Nesse contexto, o cenário favorecia a entrada de combustíveis importados, o que aumentava a concorrência no mercado brasileiro.
Ainda segundo a Abicom, apesar da estabilidade do câmbio, os preços internacionais da gasolina e, principalmente, do óleo diesel registraram valorização no último fechamento. Mesmo assim, o preço médio da gasolina no Brasil seguia acima da paridade. Por outro lado, o diesel permanecia abaixo da referência.
Para o diesel, a Petrobras informou que manterá, neste momento, os preços de venda às distribuidoras.
Avaliação do impacto sobre as ações da Petrobras
No mercado acionário, o corte do preço da gasolina da Petrobras teve repercussão limitada. Analistas do Itaú BBA avaliam que o impacto sobre as ações da companhia tende a ser neutro.
Segundo o banco, o mercado já esperava o ajuste. Ainda assim, a magnitude ficou ligeiramente abaixo das projeções iniciais. Antes do anúncio, os preços domésticos estavam cerca de 10% acima da paridade internacional. Após o corte, essa diferença deve cair para aproximadamente 5%.
Os analistas destacam, contudo, que a Petrobras pode utilizar parâmetros próprios em sua política comercial. Dessa forma, as estimativas de mercado nem sempre coincidem com os critérios adotados pela companhia.
O Goldman Sachs segue uma avaliação semelhante. Para o banco, mesmo após o ajuste, o preço da gasolina no mercado interno deve permanecer entre 5% e 8% acima da referência internacional. Esse patamar está em linha com a média observada nos últimos 12 meses. No caso do diesel, os preços seguem alinhados ao mercado externo.
Refino mantém margens consideradas saudáveis
Sob a ótica operacional, o Goldman Sachs avalia que os spreads de refino seguem em níveis considerados saudáveis. Esses spreads representam a diferença entre o custo do petróleo bruto e o preço de venda dos derivados.
No caso da gasolina, o spread está estimado em cerca de US$ 12 por barril. Já para o diesel, o valor gira em torno de US$ 32 por barril. Ambos permanecem dentro dos padrões históricos do setor.
Ainda assim, o banco alerta para possíveis efeitos de curto prazo. Para as distribuidoras, a redução pode gerar perdas pontuais de estoque. Com isso, as margens do primeiro trimestre podem sofrer leve pressão.
Efeitos esperados sobre a inflação
Na avaliação da Warren Investimentos, o corte do preço da gasolina da Petrobras deve produzir impacto relevante sobre a inflação. A casa projeta uma redução média de 1,54% no preço do combustível nas bombas, o equivalente a cerca de R$ 0,09 por litro.
Como resultado, o impacto total estimado no IPCA é negativo em aproximadamente 0,08 ponto percentual. Diante desse cenário, a projeção de inflação para o ano foi revisada de 4,50% para 4,40%.
As economistas Andréa Angelo e Lais Camargo estimam que a gasolina registrará queda de 0,90% no IPCA-15 de fevereiro. No IPCA cheio, a retração projetada é de 1,21%. Já no IPCA-15 de março, a variação estimada é de -0,56%.






























