A crise na Venezuela e mercados financeiros voltou ao centro das atenções nesta segunda-feira (5). O movimento ocorreu após a operação dos Estados Unidos que resultou na prisão de Nicolás Maduro. Como consequência, diferentes classes de ativos reagiram ao longo do dia. O Ibovespa avançou 0,8%, enquanto as bolsas de Nova York fecharam em alta. Ao mesmo tempo, o dólar recuou frente ao real. Além disso, criptomoedas e metais preciosos registraram ganhos relevantes. Ainda assim, analistas afirmam que o impacto direto sobre o mercado brasileiro tende a ser limitado no curto prazo.
Ibovespa sobe apesar da queda da Petrobras
No Brasil, o Ibovespa encerrou o pregão em alta de 0,83%, aos 161.869 pontos. Com isso, o índice voltou a se aproximar da faixa dos 162 mil pontos. No acumulado das duas primeiras sessões de 2026, a valorização chega a 0,46%. O giro financeiro somou R$ 22,5 bilhões.
A Petrobras exerceu a principal pressão negativa do dia. As ações da companhia recuaram cerca de 1,7%. O movimento ocorreu mesmo com a alta do petróleo no mercado internacional. Segundo analistas, investidores reagiram ao risco de maior concorrência regional. Esse cenário ganharia força caso a Venezuela reabra seu setor energético a empresas norte-americanas.
Em contrapartida, o avanço de Vale ajudou a sustentar o índice. A ação subiu 1,02%. Ademais, o setor financeiro apresentou desempenho positivo. Bradesco, Itaú, Banco do Brasil e BTG Pactual registraram ganhos consistentes. Por fim, ações de construtoras figuraram entre as maiores altas. O setor reagiu à expectativa de queda da taxa Selic ao longo de 2026.
Analistas veem impacto limitado da crise no Brasil
Na avaliação de especialistas, a relação entre a crise na Venezuela e mercados acionários brasileiros permanece restrita. Segundo eles, o setor de energia concentra os efeitos mais diretos. Além disso, o noticiário geopolítico ligado ao petróleo merece maior atenção.
Relatórios de instituições internacionais reforçam essa leitura. UBS e Janus Henderson avaliam que mudanças políticas na Venezuela dificilmente provocarão uma reprecificação ampla dos mercados emergentes no curto prazo. Ainda assim, os analistas destacam riscos indiretos. Entre eles estão ajustes na percepção de risco soberano. Da mesma forma, possíveis impactos sobre cadeias globais de energia e suprimentos seguem no radar.
Wall Street avança com ações de energia e defesa
Nos Estados Unidos, os principais índices de Wall Street fecharam em alta. O Dow Jones subiu 1,23%. Enquanto isso, o S&P 500 avançou 0,64%. Já o Nasdaq registrou ganho de 0,69%.
A alta ganhou força com ações de empresas de energia e defesa. Esses setores reagiram diretamente às repercussões da operação norte-americana na Venezuela. Companhias petrolíferas como Chevron, ConocoPhillips e Exxon Mobil registraram ganhos expressivos. Da mesma forma, fabricantes de equipamentos militares também avançaram.
Além do cenário geopolítico, investidores acompanharam indicadores econômicos. Nesse contexto, o mercado voltou suas atenções para o relatório oficial de emprego dos Estados Unidos. A divulgação está prevista para o fim da semana.
Bitcoin sobe com maior apetite por risco
O mercado de criptomoedas acompanhou o movimento positivo global. O bitcoin subiu cerca de 3,5% e se aproximou de US$ 94 mil. Ao mesmo tempo, o ethereum avançou quase 3%.
De acordo com analistas, o maior apetite por risco sustentou a alta. Ademais, especulações sobre possíveis efeitos da crise venezuelana sobre reservas digitais do país influenciaram os preços. Ainda assim, especialistas recomendam cautela. Eles ressaltam que a volatilidade segue elevada nesse mercado.
Dólar cai e metais preciosos avançam
No mercado de câmbio, o dólar à vista fechou em queda de 0,35%, cotado a R$ 5,40. Após subir pela manhã, a moeda perdeu força ao longo do pregão. Esse movimento refletiu uma acomodação das cotações. Além disso, a expectativa por dados econômicos dos Estados Unidos influenciou o mercado.
Em contraste, os metais preciosos registraram forte valorização. O ouro subiu quase 3%. Já a prata avançou cerca de 8%. O movimento refletiu a busca por proteção diante das tensões geopolíticas. Mesmo assim, os mercados acionários também encerraram o dia em alta.
Perspectivas para os próximos dias
Segundo analistas, o comportamento dos mercados nos próximos dias dependerá principalmente de fatores econômicos globais. Entre eles estão dados de emprego, inflação e decisões de política monetária nos Estados Unidos. Ainda assim, a crise na Venezuela e mercados seguirá no radar dos investidores. O foco recairá, sobretudo, sobre o setor energético. Ademais, o equilíbrio geopolítico regional continuará sendo monitorado.






























