A Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer (EMBR3), elevou para US$ 1,2 bilhão o volume de financiamentos destinados ao desenvolvimento de seu carro voador elétrico. O valor foi alcançado após uma nova captação de US$ 150 milhões anunciada nesta semana. A operação envolve bancos nacionais e internacionais e fortalece a posição da empresa no mercado de aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical, conhecidas como eVTOLs.
O novo financiamento reúne Itaú, Banco do Brasil, Citibank e Mitsubishi UFJ Financial Group (MUFG). Segundo a empresa, o empréstimo tem prazo de cinco anos. Os recursos vão acelerar as etapas de testes, certificação e preparação comercial da aeronave.
Com essa captação, a Eve passa a figurar entre as companhias mais capitalizadas do setor de eVTOL. Nos últimos anos, diversas concorrentes interromperam projetos por falta de recursos. Esse cenário expôs as dificuldades financeiras de um mercado que exige investimentos elevados e prazos longos de desenvolvimento.
Recursos focam testes e integração operacional
De acordo com a companhia, o financiamento será direcionado principalmente às atividades de pesquisa e desenvolvimento. Além disso, a Eve pretende integrar a aeronave a um ecossistema de mobilidade aérea urbana, que inclui infraestrutura de solo, sistemas digitais e gestão do tráfego aéreo.
O eVTOL é uma aeronave elétrica capaz de decolar e pousar na vertical. Por isso, dispensa pistas convencionais. O modelo surge como alternativa para o transporte urbano, com menor emissão de ruído e gases poluentes quando comparado a helicópteros tradicionais.
Ao mesmo tempo, a empresa pretende avançar no processo de certificação junto às autoridades aeronáuticas. Essa etapa é decisiva para a entrada em operação comercial. Em geral, a certificação exige testes extensivos e validações rigorosas de segurança.
Protótipo conclui primeiro voo em escala real
Recentemente, a Eve realizou o primeiro voo do protótipo de engenharia em escala real. O teste ocorreu nas instalações da Embraer no Brasil. A aeronave executou um voo pairado, conhecido como hover flight, no qual permanece estável no ar sem deslocamento horizontal.
Esse tipo de ensaio marca o início de uma campanha mais ampla de testes. Segundo a empresa, essa fase deve se intensificar ao longo de 2026. Caso o cronograma seja cumprido, a operação comercial está prevista para 2027.
Enquanto isso, a companhia segue ajustando sistemas e componentes críticos da aeronave. O objetivo é validar desempenho, segurança e confiabilidade antes da fase final de certificação.
Carteira de pedidos soma US$ 14 bilhões
Até o terceiro trimestre de 2025, a Eve registrava cerca de 2,8 mil pedidos de eVTOLs. O número inclui encomendas firmes e cartas de intenção. Juntas, essas solicitações representam uma carteira estimada em aproximadamente US$ 14 bilhões.
O volume indica interesse crescente de operadoras aéreas, empresas de mobilidade e governos. Ainda assim, analistas destacam que a viabilidade comercial dependerá da escala de produção. Além disso, a aceitação do público e a adaptação das cidades serão fatores determinantes.






























