Os desastres naturais no Brasil provocaram perdas econômicas de cerca de R$ 28 bilhões em 2025, segundo relatório divulgado em fevereiro pela Aon, consultoria global especializada em análise e gestão de riscos. O levantamento reúne dados sobre eventos climáticos extremos registrados ao longo do ano e seus impactos diretos na economia nacional.
As perdas estão associadas, principalmente, às secas prolongadas que atingiram diferentes regiões do país. O efeito foi mais intenso na Amazônia, onde a escassez hídrica se prolongou por meses e comprometeu atividades produtivas, a disponibilidade de água e a geração de energia.
Além disso, o estudo aponta que a frequência crescente de eventos climáticos extremos exige investimentos em prevenção, infraestrutura resiliente e mecanismos financeiros capazes de reduzir prejuízos futuros.
Seca prolongada afetou energia e agricultura
A estiagem foi o principal fator por trás dos prejuízos registrados ao longo do ano. A redução das chuvas comprometeu a produção agrícola e, ao mesmo tempo, alterou o equilíbrio energético do país.
Tradicionalmente, a geração hidrelétrica responde por cerca de dois terços da eletricidade brasileira. No entanto, devido ao baixo nível dos reservatórios, essa participação caiu significativamente em 2025. Em agosto, a fonte respondeu por menos da metade da energia produzida.
Enquanto isso, algumas áreas do Sudeste apresentaram sinais de recuperação após períodos críticos anteriores. Ainda assim, a persistência da seca em regiões estratégicas manteve o impacto econômico elevado.
Além da escassez de água, incêndios florestais agravaram o cenário ambiental. Como resultado, os danos financeiros se ampliaram e reforçaram a vulnerabilidade de setores dependentes de recursos naturais.
Riscos para a produção agrícola e cadeia global de alimentos
O impacto dos desastres naturais no Brasil também se estendeu ao setor agrícola. A redução da umidade do solo e o aumento das temperaturas afetaram lavouras e elevaram o risco de interrupções no abastecimento global de café.
O país lidera a produção mundial do grão, ao lado de Colômbia e Vietnã. Portanto, variações climáticas internas têm potencial para influenciar preços e oferta no mercado internacional.
Dados históricos reforçam a dimensão do problema. Nas últimas três décadas, o Brasil acumulou cerca de US$ 139 bilhões em perdas relacionadas à seca. Ademais, projeções indicam que, até 2050, condições severas de escassez hídrica podem ameaçar mais da metade das colheitas globais.
Segundo Beatriz Protasio, executiva do setor de resseguros da consultoria, compreender os riscos climáticos tornou-se essencial para reduzir perdas e acelerar a recuperação após eventos extremos. Nesse contexto, mecanismos financeiros específicos ganham relevância.
Um exemplo é o seguro paramétrico, modelo que permite pagamento automático de indenizações quando determinados indicadores climáticos são atingidos. Dessa forma, a compensação ocorre com maior rapidez, reduzindo a incerteza financeira.
Eventos climáticos extremos registrados ao longo de 2025
O relatório identifica diversos episódios relevantes ao longo do ano. Entre eles estão tempestades convectivas severas — chuvas intensas e de curta duração — além de inundações e longos períodos de seca.
Somente a estiagem registrada entre janeiro e junho concentrou perdas de US$ 4,8 bilhões. Posteriormente, tempestades e enchentes provocaram danos adicionais e resultaram em vítimas em diferentes regiões do país.
Embora esses eventos ocorram de forma isolada, o acúmulo de episódios de média intensidade amplia o impacto econômico total. Por isso, especialistas consideram a frequência crescente dessas ocorrências um fator crítico para o planejamento de longo prazo.
Histórico regional reforça tendência de eventos extremos
A seca persistente não é um fenômeno recente nem exclusivo do território brasileiro. Nos últimos anos, episódios semelhantes provocaram prejuízos expressivos em áreas estratégicas da América do Sul.
Um exemplo é a Bacia do Prata, região que reúne importantes zonas agrícolas e atravessa vários países do continente. Eventos climáticos severos nessa área já produziram perdas bilionárias e afetaram a produção regional.
Assim, o cenário observado em 2025 se insere em um contexto mais amplo de intensificação de riscos climáticos na América do Sul.
Panorama global de perdas econômicas e humanas
Em escala mundial, desastres naturais geraram US$ 260 bilhões em perdas econômicas em 2025. As indenizações seguradas somaram US$ 127 bilhões, marcando o sexto ano consecutivo acima de US$ 100 bilhões.
Os incêndios florestais registrados na Califórnia, nos Estados Unidos, foram os eventos mais custosos do período. Ao mesmo tempo, tempestades convectivas severas tornaram-se o risco segurado mais caro do século 21, superando ciclones tropicais.
No total, ocorreram 49 eventos globais com perdas superiores a US$ 1 bilhão. As fatalidades chegaram a cerca de 42 mil pessoas. O episódio mais mortal foi um terremoto em Mianmar.
Necessidade crescente de adaptação e prevenção
O avanço da frequência e da intensidade de eventos climáticos indica uma tendência estrutural. Portanto, especialistas defendem investimentos em monitoramento climático, planejamento territorial e infraestrutura resistente a eventos extremos.
Além disso, instrumentos financeiros de proteção e sistemas de alerta precoce devem ganhar maior importância nos próximos anos. O objetivo é reduzir perdas econômicas, proteger populações vulneráveis e fortalecer a capacidade de resposta diante de desastres naturais no Brasil.





























