O fim da escala 6×1 voltou ao centro das discussões no Congresso Nacional e mobiliza parlamentares, empresários e representantes dos trabalhadores. A proposta altera o modelo em que o funcionário trabalha seis dias consecutivos e descansa um. Atualmente, quatro Propostas de Emenda à Constituição (PECs) tratam do tema. Defensores apontam ganhos para a qualidade de vida. Por outro lado, entidades empresariais alertam para impactos nos custos, nos empregos e na competitividade.
Entre os textos em tramitação está a PEC 8/2025, que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas. O relator da Subcomissão Especial da Escala 6×1, deputado Luiz Gastão (PSD-CE), afirmou que o relatório pode incluir a redução da contribuição previdenciária patronal de 20% para 10% em empresas cuja folha represente pelo menos 30% do faturamento. Segundo ele, o desafio consiste em equilibrar proteção ao trabalhador e sustentabilidade econômica.
O que prevê a proposta em discussão
O debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou intensidade nos últimos meses. Além das PECs, parlamentares apresentaram requerimentos e realizaram audiências públicas. Dessa forma, o tema passou a integrar a agenda prioritária da Câmara.
A principal mudança envolve a reorganização da jornada. Hoje, a Constituição estabelece limite de 44 horas semanais. Caso o Congresso aprove a redução, empresas precisarão ajustar escalas e contratos. Portanto, o impacto dependerá do setor e do modelo de implementação.
Setores mais afetados pela mudança
O comércio e os serviços concentram as maiores preocupações. Esses segmentos dependem de funcionamento contínuo e atendimento direto ao público. Assim, muitas empresas utilizam escalas estendidas para manter as atividades.
A Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) acompanha o debate e defende análise técnica antes de qualquer alteração. Segundo a entidade, uma mudança abrupta pode elevar custos operacionais. Além disso, empresários podem precisar contratar novos funcionários para cobrir turnos.
Micro e pequenas empresas enfrentam maior vulnerabilidade. Em geral, esses negócios operam com margens reduzidas e menor capacidade de absorver despesas extras. Consequentemente, qualquer aumento fixo tende a pressionar resultados.
Produtividade entra no centro da discussão
Outro ponto recorrente no debate envolve a produtividade. Produtividade significa a quantidade de bens ou serviços produzidos em determinado período. Quanto maior a eficiência, menor o impacto de jornadas reduzidas.
O vice-presidente da CACB, Valmir Rodrigues da Silva, argumenta que países desenvolvidos adotam cargas horárias menores porque registram produtividade mais elevada. No Brasil, entretanto, fatores como infraestrutura limitada, deficiências educacionais e baixa incorporação tecnológica ainda restringem ganhos.
Segundo ele, quando a carga horária diminui sem aumento de eficiência, os custos sobem. Em muitos casos, empresas repassam parte dessa alta aos preços. Caso não consigam fazer isso, a rentabilidade cai. No limite, podem reduzir contratações.
Impactos no consumidor e na geração de empregos
A discussão sobre o fim da escala 6×1 não se restringe às empresas. O trabalhador também atua como consumidor. Portanto, se preços aumentarem, o poder de compra pode diminuir.
Empresas que atuam como fornecedoras conseguem diluir custos ao longo da cadeia produtiva. Já aquelas que vendem diretamente ao consumidor final possuem menor margem de manobra. Nesse cenário, ajustes podem afetar emprego e investimento.
Fernando Moraes, presidente do Conselho Superior da Faciap, defende transição gradual. Para ele, mudanças estruturais exigem compensações, como desoneração da folha e estímulos à modernização.
Qualidade de vida e equilíbrio social
Defensores do fim da escala 6×1 destacam benefícios sociais. Eles afirmam que jornadas menores reduzem desgaste físico e mental. Ademais, ampliam o tempo para convívio familiar.
Especialistas, contudo, observam que os resultados variam conforme o setor. Empresas com maior automação conseguem reorganizar turnos com menos impacto. Já atividades intensivas em mão de obra sentem efeitos mais imediatos.
Diante desse cenário, entidades defendem diálogo amplo. Governo, Congresso, trabalhadores e empresários discutem alternativas como acordos coletivos e modelos flexíveis. Assim, buscam soluções que conciliem proteção social e viabilidade econômica.
O Congresso deve avançar na análise nas próximas semanas. A decisão final dependerá de negociações políticas e estudos de impacto fiscal.





























