O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou em novo recorde histórico nesta quarta-feira (21). O indicador avançou 3,33%, aos 171.816,67 pontos. O movimento foi impulsionado pela entrada de capital estrangeiro, pela alta de ações de grande peso e pelo alívio nas tensões geopolíticas internacionais. Esse cenário ganhou força após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. No mesmo dia, o dólar comercial caiu 1,11% e encerrou cotado a R$ 5,32.
Durante o pregão, o índice chegou a atingir 171.969 pontos. Trata-se da maior marca intradia já registrada. Assim, o Ibovespa superou, em sequência, os níveis de 167 mil a 171 mil pontos. Além disso, o volume financeiro negociado somou R$ 43,3 bilhões. O valor ficou bem acima da média recente e indicou aumento relevante da participação de investidores estrangeiros.
Fluxo internacional favorece mercados emergentes
O desempenho do Ibovespa ocorreu em um contexto de realocação global de recursos. Investidores reduziram a exposição a ativos dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, passaram a buscar alternativas em mercados emergentes, como o Brasil.
Esse movimento ganhou intensidade após Trump sinalizar recuo na imposição de tarifas comerciais contra países europeus. Ademais, o presidente americano descartou o uso de força militar na disputa envolvendo a Groenlândia. Dessa forma, o ambiente externo tornou-se mais favorável a ativos de risco.
O cenário também se refletiu em Wall Street. Os principais índices americanos fecharam em alta superior a 1%. O Dow Jones avançou 1,21%. O S&P 500 subiu 1,16%. Já o Nasdaq registrou ganho de 1,18%.
Segundo dados da B3, a Bolsa brasileira acumula entrada líquida de R$ 7,6 bilhões de capital estrangeiro em 2026. Esse fluxo reforça a avaliação de bancos internacionais. Para essas instituições, o país está bem posicionado no atual ciclo de diversificação dos portfólios globais.
Dólar recua e juros futuros acompanham movimento
Com o aumento do apetite ao risco, o dólar perdeu força frente ao real. Isso ocorreu mesmo em um dia de leve alta do índice DXY. O indicador mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de divisas fortes.
No mercado doméstico, a queda do dólar foi reforçada pelo fluxo financeiro positivo. Além disso, a valorização das commodities contribuiu para o movimento. Historicamente, esse fator beneficia países exportadores, como o Brasil.
Os juros futuros também reagiram. As taxas fecharam em queda ao longo de toda a curva. Os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) atingiram os menores níveis do dia após o fechamento dos Treasuries americanos. Assim, o mercado passou a precificar menor percepção de risco no curto e médio prazo.
Eleições entram no radar dos investidores
No cenário interno, os investidores também acompanharam a divulgação de nova pesquisa eleitoral da AtlasIntel. O levantamento mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na liderança das intenções de voto. No entanto, a distância em relação ao senador Flávio Bolsonaro diminuiu em simulações de segundo turno.
Embora a pesquisa não provoque efeitos imediatos sobre decisões econômicas, analistas avaliam o impacto potencial. Segundo eles, maior competitividade eleitoral tende a influenciar expectativas sobre política fiscal. Esse fator pode afetar a precificação dos ativos financeiros ao longo do tempo.
Ações de peso sustentam a alta do índice
A valorização do Ibovespa foi sustentada, sobretudo, por ações de grande representatividade. Os papéis da Vale subiram cerca de 3%. Com isso, superaram a marca de R$ 82 e atingiram a maior cotação histórica.
A Petrobras também avançou mais de 3%. O movimento ocorreu apesar da alta moderada do petróleo no mercado internacional. Ainda assim, o apetite por risco favoreceu os papéis da estatal.
Os principais bancos registraram ganhos expressivos. Dessa forma, ampliaram o impacto positivo sobre o índice. Juntos, bancos, Vale e Petrobras representam cerca de 50% da carteira teórica do Ibovespa.
Entre as maiores altas do dia, a Cogna liderou o ranking. A ação disparou quase 11% após elevação de recomendação por analistas. Em sentido oposto, a TIM foi a única a fechar em queda. O papel foi pressionado por revisão negativa de recomendação.
Outros mercados globais
No mercado internacional, o petróleo encerrou o dia em alta moderada. O movimento ocorreu após a Agência Internacional de Energia elevar a projeção de crescimento da demanda global. Por outro lado, o ouro voltou a subir, sustentado por preocupações geopolíticas e fiscais.
Enquanto isso, o bitcoin registrou queda. A criptomoeda recuou com a realização de lucros. Assim, destoou do desempenho positivo observado em outros ativos de risco.






























