Os investidores estrangeiros na B3 encerraram 2025 com entrada líquida de R$ 26,87 bilhões, revertendo o movimento de saída registrado no ano anterior. O resultado, que considera operações no mercado secundário e emissões como IPOs e follow-ons, foi apurado pela consultoria Elos Ayta. No entanto, apesar do saldo anual positivo, a trajetória dos aportes ao longo do ano foi irregular, com uma desaceleração inédita no segundo semestre, quando os fluxos praticamente estagnaram.
Entrada de capital estrangeiro reverte perdas de 2024
Depois de registrar saída líquida de R$ 24,20 bilhões em 2024, o mercado acionário brasileiro voltou a atrair recursos externos em 2025. Segundo a Elos Ayta, mesmo quando se desconsideram as ofertas públicas iniciais (IPOs) e subsequentes (follow-ons), o saldo permaneceu positivo, em R$ 25,47 bilhões. No ano anterior, esse mesmo recorte havia apontado retirada de R$ 32,11 bilhões.
Dessa forma, o movimento sinaliza uma recomposição parcial da confiança do investidor internacional no mercado brasileiro. Ainda assim, essa retomada ocorreu de maneira concentrada, com maior peso no primeiro semestre.
Segundo semestre registra freio inédito nos aportes
Apesar do desempenho anual favorável, o detalhamento semestral revela um cenário distinto. Entre julho e dezembro de 2025, o saldo líquido de capital estrangeiro na bolsa brasileira foi praticamente nulo, algo que, segundo a consultoria, não havia sido observado desde o início da série histórica, em 2022.
Considerando IPOs e follow-ons, o semestre encerrou com saída marginal de R$ 34 milhões. Por outro lado, ao excluir essas operações, a retirada líquida foi mais expressiva, somando R$ 941 milhões. Nesse contexto, a Elos Ayta classifica o comportamento como atípico, já que os períodos anteriores alternavam entradas e saídas de volume relevante.
Comparação histórica reforça caráter excepcional
Até 2025, apenas um semestre havia terminado no campo negativo: o primeiro semestre de 2024, quando a saída líquida alcançou R$ 38,86 bilhões. Em contrapartida, o maior ingresso de recursos da série ocorreu no início de 2022, com R$ 68,75 bilhões em entradas.
Entre esses dois extremos, os fluxos costumavam apresentar oscilações significativas. No entanto, essa dinâmica não se repetiu na segunda metade de 2025, marcada por neutralidade quase absoluta.
Análise trimestral aponta falta de convicção
A leitura trimestral reforça essa percepção de cautela. No terceiro trimestre, o saldo líquido foi positivo em apenas R$ 170 milhões, considerando IPOs e follow-ons. Em seguida, no quarto trimestre, houve saída líquida de R$ 200 milhões.
Quando essas operações são desconsideradas, o quadro permanece frágil. Nesse caso, houve entrada de R$ 60 milhões entre julho e setembro e retirada de R$ 1,04 bilhão entre outubro e dezembro. Segundo Einar Rivero, CEO da Elos Ayta Consultoria, os dados indicam um investidor estrangeiro atuando sem convicção direcional, ajustando posições pontualmente e evitando ampliar exposição estrutural.
Fluxo mensal concentrado em janelas específicas
O detalhamento mensal ajuda a compreender como esse comportamento se formou. Ao longo de 2025, quatro meses registraram saída líquida de recursos estrangeiros. Entre eles, julho concentrou a maior retirada do ano, com R$ 6,17 bilhões, enquanto maio apresentou o melhor desempenho, com entrada de R$ 10,66 bilhões, considerando IPOs e follow-ons.
Mesmo ao excluir essas operações, o padrão se mantém. Novamente, julho liderou as saídas, com R$ 6,37 bilhões, enquanto maio foi o mês mais positivo, com R$ 10,58 bilhões em ingressos. Assim, o fluxo positivo mostrou-se concentrado em períodos específicos e incapaz de se sustentar ao longo do segundo semestre.
Volume negociado segue elevado, apesar da cautela
Embora 2025 não tenha superado os recordes históricos observados em 2021, o volume financeiro movimentado por estrangeiros permaneceu elevado. Em dezembro, as compras somaram R$ 339,6 bilhões, alta de 9,1% em relação a novembro. Ao mesmo tempo, as vendas alcançaram R$ 341,5 bilhões, avanço de 10,4% no mesmo período.
No acumulado do ano, os investidores estrangeiros realizaram R$ 3,56 trilhões em compras e R$ 3,54 trilhões em vendas, crescimentos de 6,3% e 4,5%, respectivamente, frente a 2024. Por fim, o dado indica forte presença operacional na B3, ainda que sem expansão consistente da posição líquida.






























