O IPCA de janeiro registrou alta de 0,33%, repetindo a variação observada em dezembro, segundo dados divulgados nessa terça-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, a inflação acumulada em 12 meses passou para 4,44%. Segundo o instituto, o resultado ficou praticamente em linha com as expectativas do mercado financeiro.
No início do ano, o comportamento dos preços refletiu movimentos distintos. Enquanto isso, os combustíveis pressionaram o índice. Ao mesmo tempo, a redução na conta de luz ajudou a conter uma aceleração maior da inflação.
Transportes exercem maior impacto no IPCA de janeiro
O grupo Transportes foi o principal responsável pela alta do IPCA de janeiro. Nesse contexto, o segmento avançou 0,60% e contribuiu com 0,12 ponto percentual para o índice geral.
Em especial, os combustíveis tiveram papel central. No mês, o conjunto dos preços subiu 2,14%. Por sua vez, a gasolina, com alta de 2,06%, respondeu pelo maior impacto individual. Além disso, o etanol avançou 3,44%, o óleo diesel subiu 0,52% e o gás veicular aumentou 0,20%.
De acordo com o IBGE, o reajuste do ICMS sobre combustíveis, em vigor desde 1º de janeiro, influenciou diretamente o preço final ao consumidor.
Além dos combustíveis, o transporte público urbano ficou mais caro em diversas capitais. Nesse cenário, o ônibus urbano registrou alta média de 5,14%, após reajustes tarifários em cidades como Fortaleza, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte e Vitória.
Por outro lado, alguns subitens ajudaram a conter a pressão no grupo. Em janeiro, as tarifas de transporte por aplicativo recuaram 17,23%. Da mesma forma, as passagens aéreas caíram 8,90%, após altas observadas em dezembro.
Conta de luz reduz pressão no grupo Habitação
O grupo Habitação apresentou queda de 0,11% em janeiro. Dessa forma, exerceu o maior impacto negativo sobre o índice no mês.
O principal fator, no entanto, foi a redução de 2,73% na energia elétrica residencial. Isso ocorreu após a mudança da bandeira tarifária, que passou de amarela, em dezembro, para verde, em janeiro. Com a alteração, deixou de haver cobrança adicional na conta de luz.
Segundo o IBGE, a energia elétrica e a gasolina estão entre os subitens de maior peso no cálculo do IPCA. Assim, variações nesses preços produzem efeitos relevantes sobre o resultado final do índice.
Alimentação desacelera, apesar da alta do tomate e das carnes
O grupo Alimentação e bebidas, que tem o maior peso no IPCA, desacelerou de 0,27% em dezembro para 0,23% em janeiro. Nesse movimento, a alimentação no domicílio variou 0,10%, abaixo do mês anterior.
Esse comportamento, por sua vez, foi influenciado pela queda nos preços do leite longa vida, que recuou 5,59%, e do ovo de galinha, com redução de 4,48%.
Ainda assim, alguns itens seguiram pressionando o orçamento das famílias. Entre eles, o tomate registrou alta expressiva de 20,52%. Ademais, as carnes subiram 0,84%, com destaque para cortes como contrafilé e alcatra.
Já a alimentação fora do domicílio, por outro lado, avançou 0,55%. Embora tenha desacelerado em relação a dezembro, o preço das refeições completas apresentou aceleração no período.
Comunicação e saúde também registram altas
O grupo Comunicação apresentou a maior variação percentual entre os segmentos, com alta de 0,82%. Esse resultado, portanto, foi impulsionado pelo aumento nos preços de aparelhos telefônicos e por reajustes em planos de serviços.
Em paralelo, o grupo Saúde e cuidados pessoais subiu 0,70%. Nesse caso, os principais destaques foram os artigos de higiene pessoal e os planos de saúde, que seguem influenciando a inflação de serviços.
Diferenças regionais e leitura do mercado
Entre as regiões pesquisadas, Rio Branco registrou a maior variação de preços em janeiro, com alta de 0,81%. Em sentido oposto, Belém apresentou o menor resultado, com 0,16%, influenciado pela queda da energia elétrica e das passagens aéreas.
Na avaliação de analistas, o resultado do IPCA de janeiro não altera a leitura de que a inflação segue em processo gradual de desaceleração. Ainda assim, permanecem pressões pontuais, sobretudo em combustíveis e serviços.
Diante desse quadro, a interpretação predominante é de que o dado tende a ser visto como neutro pelo Banco Central no curto prazo. Por fim, o próximo resultado do IPCA, referente a fevereiro, será divulgado em 12 de março.





























