As moedas de mercados emergentes estão mais estáveis do que as de economias avançadas. A tendência já dura vários meses e pode se tornar a mais longa em mais de duas décadas.
Dados recentes indicam que a volatilidade cambial desses países permanece controlada mesmo em um cenário global incerto. Em outras palavras, ativos historicamente considerados mais arriscados estão oscilando menos do que moedas tradicionais.
Segundo indicadores do JPMorgan, moedas de países em desenvolvimento variam menos que as de nações do G7 há quase 200 dias consecutivos. Caso a sequência continue, será o maior período desde o início dos anos 2000.
Ambiente global favorece moedas de mercados emergentes
A estabilidade das moedas de mercados emergentes resulta de fatores financeiros e econômicos combinados. Primeiro, o dólar perdeu força em relação a outras moedas. Além disso, investidores esperam cortes graduais de juros pelo Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos.
Esse cenário reduz a pressão sobre economias em desenvolvimento. Consequentemente, os investimentos nesses países tornam-se mais atrativos.
Ao mesmo tempo, os preços elevados de commodities ajudam exportadores de recursos naturais. Isso inclui petróleo, minérios e produtos agrícolas. Como resultado, muitos países emergentes registram maior entrada de divisas.
Outro fator relevante é o retorno financeiro mais alto oferecido por esses mercados. Por isso, cresce o interesse pela estratégia conhecida como carry trade.
Esse mecanismo funciona de forma simples: investidores tomam empréstimos em moedas com juros baixos e aplicam em ativos com rendimentos maiores. Quando a volatilidade é baixa, o risco diminui e a estratégia se torna mais atraente.
Para Jason Pang, gestor da JPMorgan Asset Management em Hong Kong, a estabilidade cambial tende a manter o fluxo de recursos para esses mercados.
Entrada de capital sustenta valorização cambial
Os fluxos internacionais de investimento cresceram de forma significativa. Dados compilados pela Bloomberg mostram que a entrada de recursos ocorre no ritmo mais forte para o período desde 2019.
Como consequência direta, moedas de países emergentes registram valorização. Índices cambiais mostram avanço neste ano, prolongando o forte desempenho recente.
Além do capital estrangeiro, fatores estruturais contribuem para a estabilidade. Muitos países emergentes ampliaram reservas internacionais. Também apresentam crescimento econômico relativamente mais forte que economias desenvolvidas.
Segundo Matthew Ryan, estrategista da Ebury Partners Ltd., esses fundamentos ajudam a conter oscilações do mercado cambial.
Moedas de países desenvolvidos enfrentam mais incerteza
Enquanto mercados emergentes mostram estabilidade, economias avançadas lidam com maior volatilidade. O dólar registrou oscilações após declarações do presidente Donald Trump sobre tarifas comerciais contra a Europa e discussões envolvendo a Groenlândia.
Além disso, o iene apresenta instabilidade diante das preocupações fiscais no Japão. Investidores também temem uma reversão de operações de carry trade financiadas nessa moeda.
Outro ponto de atenção é a situação fiscal americana. Essas dúvidas levam parte do mercado a buscar alternativas ao dólar. Portanto, cresce o interesse por moedas consideradas menos voláteis.
Investidores priorizam moedas emergentes mais previsíveis
Alguns gestores direcionam recursos para moedas específicas dentro do universo emergente. Entre elas estão o dólar de Singapura e o yuan da China.
Para Daniel Tan, da Grasshopper Asset Management, a tendência pode continuar. No entanto, ela depende da ausência de choques globais relevantes.
Em síntese, enquanto o ambiente internacional permanecer relativamente previsível, a estabilidade das moedas de mercados emergentes tende a persistir. Esse movimento pode redefinir a percepção de risco desses países no sistema financeiro global.
*Com informações de Bloomberg





























