A portabilidade de crédito no Open Finance entrou em uma nova fase no Brasil. A partir de fevereiro de 2026, consumidores poderão transferir empréstimos entre instituições financeiras de forma totalmente digital, diretamente pelos aplicativos dos bancos. Com isso, o processo tende a ficar mais rápido, menos burocrático e mais transparente. A mudança ocorre após a conclusão de testes técnicos e segue normas definidas pelo Banco Central e pelo Conselho Monetário Nacional.
Na prática, a nova funcionalidade permite que clientes comparem propostas, autorizem o compartilhamento de dados e assinem contratos eletronicamente, sem etapas presenciais. Dessa forma, o consumidor passa a ter mais autonomia para avaliar condições financeiras e escolher a opção mais adequada ao seu perfil.
O que muda com a portabilidade de crédito no Open Finance
Até agora, fora do ecossistema do Open Finance, a portabilidade de crédito podia levar até 25 dias para ser concluída. Com o novo modelo digital, no entanto, o prazo máximo passa a ser de cinco dias úteis. Além disso, o acompanhamento ocorre em tempo real pelo aplicativo da instituição escolhida.
Essa redução acontece porque o Open Finance viabiliza o compartilhamento padronizado de dados financeiros, sempre mediante autorização do cliente. Nesse contexto, informações sobre contratos, histórico e condições do empréstimo ficam disponíveis de forma mais ágil para outras instituições. Como resultado, etapas intermediárias são eliminadas e o processo se torna mais eficiente.
Mais concorrência e transparência nas taxas de juros
Com a digitalização da portabilidade, o Banco Central espera estimular a concorrência entre instituições financeiras. Inicialmente, o impacto será mais evidente no crédito pessoal sem garantia, primeira modalidade incluída nessa etapa do Open Finance.
Atualmente, esse tipo de crédito apresenta grande variação de juros, com taxas mensais que podem ir de 4% a 20%, dependendo do perfil do cliente e do banco. A partir de agora, contudo, a comparação entre propostas tende a ficar mais clara. Assim, o consumidor consegue avaliar com precisão o valor das parcelas, o custo total do contrato e o prazo de pagamento.
Ademais, a possibilidade de receber contrapropostas do banco de origem pode pressionar as instituições a melhorar suas condições. Por consequência, o ambiente se torna mais competitivo e favorável ao cliente.
Crescimento do Open Finance no Brasil
O Open Finance já soma cerca de 100 milhões de consentimentos ativos, o equivalente a aproximadamente 30 milhões de pessoas com ao menos uma conta conectada ao sistema. Esse número reflete, sobretudo, a adesão gradual dos usuários ao modelo de compartilhamento de dados financeiros, que depende sempre de autorização explícita.
Nesse cenário, a inclusão da portabilidade de crédito tende a acelerar o uso do sistema. Afinal, trata-se de uma funcionalidade que gera benefícios práticos e imediatos para o consumidor.
Como funciona a portabilidade de crédito pelo Open Finance
O processo ocorre de forma integralmente digital e segue etapas padronizadas:
- Primeiro, o cliente acessa o aplicativo do banco para o qual deseja levar o empréstimo;
- Em seguida, autoriza o compartilhamento de dados via Open Finance;
- Na sequência, visualiza os contratos elegíveis — inicialmente, apenas crédito pessoal sem consignação;
- Depois disso, compara condições como valor das parcelas, prazo e custo total;
- Posteriormente, analisa e assina o novo contrato de forma digital;
- Por fim, aguarda a conclusão do processo, que pode incluir uma contraproposta da instituição de origem.
Durante todas as etapas, o acompanhamento ocorre pelo aplicativo, o que dispensa contato telefônico ou envio de documentos físicos.
Implementação gradual e próximos passos
Neste primeiro momento, a portabilidade via Open Finance será restrita ao crédito pessoal sem garantia e sem consignação. A operação começa em fevereiro de 2026, após a fase de testes conduzida pelas instituições participantes.
Na etapa seguinte, o Banco Central deve iniciar discussões para ampliar o escopo do sistema. Nesse sentido, a expectativa é incluir o crédito consignado, começando pelos servidores públicos federais, com previsão de funcionamento em novembro de 2026. Posteriormente, outras modalidades de crédito devem ser incorporadas de forma gradual.





























