A Netflix divulgou nesta terça-feira (20) os resultados do quarto trimestre de 2025 acima das expectativas do mercado. No entanto, a empresa apresentou projeções mais cautelosas para o início de 2026. O cenário reflete o aumento dos gastos com conteúdo e os custos ligados à compra dos ativos de estúdios e streaming da Warner Bros. Discovery. Como consequência, as ações recuaram no after hours em Nova York.
Desempenho financeiro supera projeções
No quarto trimestre de 2025, a Netflix registrou receita de US$ 12,1 bilhões. O valor representa crescimento de cerca de 17% em relação ao mesmo período do ano anterior. Além disso, o número superou as estimativas de analistas.
O lucro por ação foi de US$ 0,56. O resultado ficou levemente acima das projeções do mercado. Assim, a empresa manteve uma sequência de resultados acima do consenso.
No acumulado de 2025, as vendas alcançaram US$ 45,2 bilhões. Esse montante representa alta anual de 16%. O desempenho foi impulsionado por reajustes de preços e pelo avanço da publicidade.
Guidance abaixo do esperado frustra investidores
Apesar do resultado positivo, a Netflix decepcionou ao divulgar suas projeções para o trimestre atual. A companhia estima lucro de US$ 0,76 por ação. Além disso, projeta receita de aproximadamente US$ 12,2 bilhões.
As expectativas de Wall Street eram maiores. Por esse motivo, os investidores reagiram de forma negativa. Após a divulgação do balanço, as ações chegaram a cair mais de 4% no pregão estendido.
Gastos com conteúdo devem crescer em 2026
A empresa informou que pretende elevar em cerca de 10% os investimentos em filmes e séries ao longo de 2026. Em 2025, a Netflix destinou aproximadamente US$ 18 bilhões à produção e aquisição de conteúdo.
Ainda que o orçamento tenha aumentado, o impacto na audiência foi moderado. Por outro lado, o engajamento global cresceu cerca de 2% no segundo semestre. Esse avanço indica maior retenção de usuários.
Audiência e assinantes seguem em alta
A Netflix encerrou o ano com mais de 325 milhões de assinantes em todo o mundo. Nesse contexto, dados da Nielsen mostram que a audiência mensal cresceu em dezembro.
O desempenho foi impulsionado, sobretudo, pelos episódios finais de Stranger Things. Ademais, transmissões esportivas e novos lançamentos ajudaram a ampliar o tempo de visualização.
Ao mesmo tempo, a empresa deixou de divulgar atualizações frequentes sobre o total de assinantes. A partir de agora, orienta investidores a priorizarem métricas financeiras tradicionais.
Aquisição da Warner eleva custos e muda estratégia financeira
A compra do estúdio e das operações de streaming da Warner Bros. Discovery deve gerar cerca de US$ 275 milhões em custos adicionais em 2026. Esse valor se soma aos aproximadamente US$ 60 milhões já desembolsados até o fim de 2025.
Diante disso, a Netflix decidiu suspender temporariamente o programa de recompra de ações. A medida busca preservar caixa para financiar a operação. Além disso, a empresa contratou empréstimos-ponte de grande volume.
A proposta revisada prevê a aquisição por US$ 27,75 por ação, integralmente em dinheiro. Ainda assim, o grupo enfrenta concorrência de outros interessados nos ativos da Warner.
Estratégia mira diversificação de receitas
Segundo a companhia, a aquisição permitirá acesso a uma das bibliotecas de conteúdo mais valiosas do setor. Esse acervo pode ser explorado em novos formatos e produtos.
Ademais, a Netflix busca expandir frentes como produtos de consumo, experiências presenciais e videogames. Paralelamente, a empresa prevê dobrar a receita com publicidade em 2026.
Por fim, novos reajustes de preços seguem em avaliação para o próximo ano.
Perspectivas para 2026
Para 2026, a Netflix projeta crescimento de até 14% na receita. Com isso, as vendas podem alcançar cerca de US$ 51,7 bilhões. A margem operacional estimada é de 31,5%.
Ainda assim, o aumento dos custos e a complexidade da aquisição mantêm o mercado atento. Portanto, os próximos trimestres serão decisivos para avaliar a execução da estratégia.






























