O Rio de Janeiro concentrou 75% da produção de gás natural do Brasil em 2025, com um volume médio de 137 milhões de metros cúbicos por dia. Os dados constam da 8ª edição do relatório Perspectivas do Gás no Rio 2025–2026, elaborado pela Firjan SENAI SESI, e indicam um crescimento de 20% em relação ao ano anterior.
O resultado ocorre em um período de transformação do mercado de gás natural no país. Esse processo é impulsionado, sobretudo, pelos cinco anos da Nova Lei do Gás, por avanços regulatórios e pela ampliação da infraestrutura. Além disso, novos modelos de negócios vêm alterando a dinâmica do setor energético brasileiro.
Produção de gás natural no Rio de Janeiro assume papel central
Segundo o relatório, o Rio de Janeiro se consolidou como o principal polo de produção e processamento de gás natural do Brasil. Essa posição decorre não apenas do volume produzido, mas também da concentração de ativos logísticos e industriais ligados ao setor.
Nesse contexto, o gás natural passou a desempenhar uma função estratégica. O insumo deixou de ser apenas uma fonte energética complementar. Hoje, influencia diretamente a competitividade da indústria e a segurança do abastecimento nacional, especialmente em períodos de maior demanda.
Disponibilidade de gás ao mercado ainda é desafio
Apesar do avanço na produção, o estudo aponta um desafio estrutural. Nem todo o gás produzido chega ao mercado consumidor. Em 2025, aproximadamente 33% do gás extraído no Brasil foi efetivamente disponibilizado, percentual inferior aos 42% registrados em 2021.
Esse movimento, entretanto, não indica retração da oferta. De acordo com a Firjan SENAI SESI, a produção cresceu em ritmo superior à capacidade de escoamento e processamento. Como consequência, parte do volume permanece fora do mercado em determinados períodos.
Infraestrutura amplia oferta de gás nacional
A entrada em operação do gasoduto Rota 3 e da Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN) do Complexo Boaventura, no Rio de Janeiro, foi decisiva para ampliar a oferta. Esses projetos permitiram aumentar o volume de gás nacional disponível ao mercado, revertendo uma tendência observada em anos anteriores.
Entre 2024 e 2025, a disponibilidade de gás no Brasil subiu de 50 milhões para 59 milhões de metros cúbicos por dia, alta de 18%. No mesmo intervalo, o Rio de Janeiro registrou crescimento ainda mais expressivo. O volume passou de 26 milhões para 33 milhões de metros cúbicos diários, avanço de 24%.
No recorte entre 2021 e 2025, tanto o Brasil quanto o Rio apresentaram aumento de 6% na disponibilidade, o que reforça a importância dos investimentos em infraestrutura para sustentar o setor.
Preço do gás impacta competitividade industrial
Outro ponto destacado pelo relatório é o preço do gás natural. Segundo a federação, a redução de custos é fundamental para ampliar a competitividade da indústria. O valor final pago pelo consumidor industrial resulta da soma de diversas etapas da cadeia.
No Rio de Janeiro, a composição média do preço inclui 13% referentes à molécula do gás, 10% ao escoamento, 36% ao processamento e 21% ao transporte e à distribuição. Além disso, cerca de 20% correspondem a tributos.
Diante desse cenário, a Firjan SENAI SESI defende iniciativas coordenadas para reduzir custos ao longo da cadeia. O objetivo é equilibrar modicidade tarifária, que significa preços mais acessíveis, com retorno adequado aos investimentos. Esse equilíbrio é considerado essencial para garantir segurança jurídica e atrair novos projetos.
Perspectivas para o mercado de gás
Com a expansão da infraestrutura, a adoção de contratos mais flexíveis e a incorporação de fontes complementares, como o biogás, o mercado tende a ganhar eficiência. Por isso, o desempenho do Rio de Janeiro seguirá sendo decisivo para a consolidação de um mercado de gás mais competitivo no Brasil.





























