A TIM comprou I-Systems por R$ 950 milhões e assume 100% do capital da empresa de rede neutra de fibra óptica no Brasil. O anúncio ocorreu na quarta-feira (11), por meio de fato relevante enviado ao mercado. A operadora adquiriu os 51% que pertenciam à IHS Brasil, já que detinha os outros 49%. Agora, a companhia consolida o controle integral da operação. A conclusão do negócio ainda depende da aprovação do Cade e da Anatel.
Com esse movimento, a TIM reforça sua estratégia no segmento de banda larga fixa e amplia o domínio sobre sua infraestrutura de conectividade.
O que é a I-Systems e qual sua atuação
A I-Systems opera no modelo de rede neutra, sistema que permite a diferentes provedores alugarem a mesma infraestrutura de fibra óptica. Dessa forma, a empresa fornece capacidade de rede no atacado, enquanto as operadoras vendem o serviço ao consumidor final.
Atualmente, a companhia atua em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás, Paraná, Bahia, Pernambuco e Amazonas. Ao todo, cobre cerca de 9 milhões de domicílios. No setor, esse indicador recebe o nome de homes passed, que representa residências com rede disponível para contratação.
Além disso, a I-Systems possui mais de 30 mil quilômetros de fibra instalada e presença em 41 cidades. Entre seus clientes estão Sky, Vero e a própria TIM.
Por que a TIM decidiu assumir 100% da empresa
Nos últimos anos, o modelo de rede neutra ganhou espaço porque reduzia a necessidade de investimento próprio das operadoras. No entanto, o cenário mudou. Parte do mercado passou a questionar o custo do aluguel dessas redes, considerado elevado por alguns analistas.
Diante disso, a TIM comprou a I-Systems e optou por verticalizar sua estrutura. Ou seja, a companhia passa a controlar diretamente um ativo considerado estratégico para expansão da banda larga via FTTH (Fiber to the Home), tecnologia que leva fibra óptica até a residência do cliente.
Segundo a empresa, a integração total pode gerar eficiência operacional e melhorar a experiência do consumidor. Além disso, o controle direto da rede tende a ampliar a capacidade de planejamento de longo prazo.
Desafios do modelo de rede neutra
Apesar da expansão inicial, empresas independentes de fibra enfrentam dificuldades para atingir escala suficiente. Como resultado, muitas operadoras avaliam que investir em rede própria pode trazer maior previsibilidade financeira.
Relatório do banco Jefferies apontou que a I-Systems registrou prejuízo líquido de R$ 159 milhões nos primeiros nove meses de 2025. Esse dado reforça o momento de ajuste no setor.
Portanto, a decisão da TIM ocorre em meio a uma reavaliação estrutural do mercado de banda larga fixa no Brasil.
Aprovação regulatória ainda é necessária
Antes de concluir a operação, a TIM precisa obter aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Somente após essas aprovações a companhia poderá formalizar a incorporação integral da I-Systems.
Até lá, as empresas seguem operando normalmente.
Resultado financeiro reforça estratégia
Paralelamente ao anúncio, a TIM divulgou crescimento nos resultados do quarto trimestre de 2025. A companhia registrou lucro líquido normalizado de R$ 1,349 bilhão, alta de 27,9% na comparação anual.
O avanço ocorreu principalmente no segmento pós-pago de telefonia móvel. Ao mesmo tempo, a empresa reduziu despesas financeiras e operacionais.
O Ebitda normalizado atingiu R$ 3,672 bilhões, com crescimento de 9,7%. Dessa maneira, a operadora fortalece sua posição financeira enquanto amplia presença no mercado de fibra.





























