A B3 (B3SA3), operadora da bolsa de valores brasileira, registrou lucro líquido de R$ 1,2 bilhão no terceiro trimestre de 2025. O resultado representa alta de 3,5% em relação ao mesmo período de 2024.
O lucro por ação chegou a R$ 0,24, avanço de 11,6%. Segundo a empresa, o crescimento reflete o bom desempenho operacional e os programas de recompra de ações em andamento.
O lucro líquido recorrente somou R$ 1,25 bilhão, número considerado em linha com o consenso de mercado, de acordo com levantamento da Bloomberg. Além disso, a receita líquida atingiu R$ 2,8 bilhões, alta de 2% em comparação com o ano anterior.
Receitas compensam retração nos derivativos e na renda variável
Apesar da queda de 18,3% no volume médio diário de contratos de derivativos — que ficou em 9,3 milhões de unidades — a companhia manteve o crescimento. O desempenho positivo veio de outras áreas do negócio.
O mercado de ações registrou média diária de R$ 21,8 bilhões negociados, queda de 6,5% na base anual. Mesmo assim, o segmento de renda fixa e crédito avançou 12,5% nas emissões e 17,3% no estoque de instrumentos financeiros, que totalizou R$ 8,4 trilhões.
No Tesouro Direto, o número de investidores aumentou 18,4%, enquanto o estoque médio de títulos cresceu 30,2%. Esses resultados ajudaram a equilibrar a performance geral.
Ademais, a área de soluções analíticas e dados obteve receita de R$ 291,4 milhões, elevação de 18,2%. O crescimento foi impulsionado principalmente pelos setores imobiliário e automotivo. Por outro lado, a divisão de tecnologia e plataformas avançou 13%, reflexo da expansão da base de clientes e de reajustes contratuais.
Controle de despesas e margens robustas
As despesas operacionais totalizaram R$ 841 milhões, aumento modesto de 1,2% em relação ao mesmo trimestre de 2024. O índice ficou abaixo da inflação do período, o que reforça o controle de custos.
O Ebitda recorrente foi de R$ 1,73 bilhão, com margem de 69,5%. Esses números indicam resiliência financeira, mesmo com o impacto dos juros altos sobre o mercado acionário.
De acordo com a B3, a Selic elevada continua reduzindo o volume de negociação em renda variável. Ainda assim, analistas avaliam que a diversificação das receitas é essencial para sustentar o crescimento em um ambiente de liquidez menor.
Lançamentos e aquisições reforçam a diversificação
Durante o trimestre, a B3 lançou 18 novos produtos, incluindo 12 índices e 6 derivativos. Entre eles estão o Índice Tesouro Selic (TSLC) e o Índice Futuro de Ouro (IFGOLD B3), que aproveita o bom momento do metal no mercado internacional.
A empresa também reforçou sua presença no setor de crédito. Para isso, adquiriu 62% da fintech Shipay e 60% da CRDC, especializada em duplicatas escriturais. Além disso, realizou sua 10ª emissão de debêntures, no valor de R$ 2,6 bilhões, com vencimento em cinco anos e custo de CDI + 0,45% ao ano.
Essas iniciativas fazem parte da estratégia da companhia de ampliar a base de produtos e diversificar as fontes de receita.
Avanços em sustentabilidade e governança
Na agenda ESG, a B3 anunciou a nova carteira do IDIVERSA B3, formada por 91 companhias. O portfólio reforça o compromisso da bolsa com a diversidade e a responsabilidade corporativa.
A empresa também realizou o B3 Climate Day, evento voltado às discussões sobre a COP30 e a transição climática. Paralelamente, revisou a metodologia do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE B3), com participação de 70 companhias.
Ademais, lançou a primeira plataforma nacional de registro de créditos de carbono, desenvolvida em parceria com a Eccon Soluções e as Reservas Votorantim. A iniciativa busca fortalecer o mercado voluntário de carbono no país e ampliar a transparência dos registros.






























