O Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (10) manter a Selic em 15% ao ano. A decisão, unânime e esperada pelo mercado, sustenta a estratégia de juros em nível contracionista por mais tempo. Além disso, o BC afirma que essa postura é necessária porque as expectativas de inflação continuam acima da meta e porque o ambiente global segue instável.
Manutenção dos juros busca ancorar expectativas
No comunicado, o Banco Central informou que manter a Selic em 15% ajuda a conduzir a inflação para a meta no horizonte relevante. Ademais, o colegiado destacou que continuará vigilante. Caso o cenário piore, o Copom pode ajustar a política monetária.
O texto reforça a preocupação com incertezas externas e internas. Portanto, a estratégia atual permanece focada em estabilidade e previsibilidade.
Ambiente internacional segue pressionado
Segundo o Copom, o ambiente externo continua adverso. A política econômica dos Estados Unidos influencia as condições financeiras globais. Além disso, tensões geopolíticas e novas tarifas impostas pelos EUA ao Brasil criam mais volatilidade. Esses fatores, juntos, ampliam a necessidade de cautela. Desse modo, o BC avalia que o cenário internacional seguirá como um vetor relevante de risco.
PIB moderado e inflação ainda resistente
No cenário doméstico, o BC observa desaceleração da atividade econômica após o crescimento medido pelo PIB. O mercado de trabalho, porém, segue forte. Por outro lado, a inflação continua acima do centro da meta, embora tenha mostrado algum alívio recente.
O IPCA avançou 0,18% em novembro, abaixo da expectativa de 0,20%. Em 12 meses, acumula 4,46%. Assim, o resultado permanece dentro do intervalo de tolerância da meta de 3%.
Expectativas continuam desancoradas
As projeções do Boletim Focus permanecem acima da meta de inflação. Para 2025, o mercado estima alta de 4,40%. Para 2026, a expectativa está em 4,16%. Já a projeção do Copom para o segundo trimestre de 2027 é de 3,2%.
O comitê avalia que os riscos continuam elevados. Desse modo, entre os riscos de alta estão:
- desancoragem prolongada das expectativas;
- inflação de serviços mais resistente;
- impactos de políticas internas e externas sobre o câmbio.
Enquanto isso, entre os riscos de baixa estão:
- desaceleração doméstica mais forte;
- enfraquecimento global;
- queda dos preços das commodities.
Mercado posterga início dos cortes de juros
Com a Selic mantida em 15% pela quarta vez, o mercado alterou suas apostas. Agora, analistas projetam início do ciclo de cortes entre março e abril. A chance de redução em janeiro é considerada baixa. Portanto, a leitura predominante é que o BC adiará qualquer flexibilização.
Para Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, o comunicado manteve tom neutro. Segundo ele, o BC busca defender a credibilidade ao seguir a estratégia de “hawkish hold”.
Marcelo Bolzan, planejador financeiro da The Hill Capital, avalia que a comunicação foi mais dura do que parte do mercado previa. Ele acredita que a Selic deve ser mantida novamente em janeiro.
Já Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, afirma que o nível atual de juros pode desagradar alguns agentes políticos e financeiros. Ainda assim, o Copom optou por seguir a linha de coerência com as sinalizações anteriores. Portanto, o colegiado mantém a postura cautelosa.
Brasil segue entre os maiores juros reais do mundo
Com a Selic em 15%, o juro real brasileiro é o segundo maior entre 40 economias avaliadas por MoneYou e Lev Intelligence. O Brasil registra juro real de 9,44%. Fica atrás apenas da Turquia, com 10,33%. Assim, o país permanece no topo do ranking global de juros reais.
Histórico recente da Selic
O ciclo atual começou em setembro de 2024, quando a taxa passou para 10,75%. Depois, o BC promoveu uma série de altas que elevou a Selic para 12,25% no fim daquele ano. Em junho de 2025, o índice alcançou 15%, patamar mantido até agora. Desde então, o Copom reforça que a taxa atual é compatível com a convergência da inflação.
Próxima reunião pode definir direção dos juros
O Copom se reúne novamente em 27 e 28 de janeiro de 2026. Até lá, o Banco Central acompanhará os indicadores de inflação, atividade, mercado de trabalho e cenário internacional. Qualquer mudança na condução da política monetária dependerá dessa leitura. Por fim, o BC reforça que continuará atento aos riscos e às expectativas.






























