A siderúrgica brasileira CSN negocia um empréstimo que pode chegar a US$ 1,5 bilhão com um grupo de bancos nacionais e internacionais. A operação busca reforçar o caixa da companhia e permitir o pagamento de dívidas relevantes que vencem ao longo de 2026, incluindo títulos emitidos no mercado externo.
Segundo pessoas próximas às negociações, o valor da linha de crédito deve ficar entre US$ 1,35 bilhão e US$ 1,5 bilhão. A empresa e os bancos ainda discutem condições como juros, prazo e garantias. Mesmo assim, interlocutores avaliam que a operação tem boas chances de conclusão ainda em março.
Entre as garantias consideradas na negociação aparecem ações da CSN Cimentos, subsidiária do grupo.
A reportagem procurou a companhia e as instituições financeiras envolvidas. No entanto, até o momento da publicação, nenhuma delas comentou as tratativas.
Empréstimo da CSN pode cobrir vencimentos de dívida
A empresa pretende utilizar os recursos do empréstimo para pagar bonds que vencem em abril deste ano. Esses papéis representam títulos de dívida vendidos a investidores no exterior.
Na prática, os bonds funcionam como um empréstimo concedido por investidores à companhia emissora. Em troca, a empresa paga juros periódicos e devolve o valor principal na data de vencimento.
Além disso, a CSN também pretende quitar dívidas bancárias e recomprar parte dos títulos com vencimento em 2028. Dessa forma, a empresa busca alongar o perfil da dívida e reduzir pressões financeiras no curto prazo.
Dívidas com bancos concentram vencimentos em 2026
Apesar do vencimento de títulos internacionais, a maior parte das obrigações financeiras da companhia concentra-se no sistema bancário.
De acordo com o balanço mais recente divulgado pela empresa, referente ao terceiro trimestre do ano passado, cerca de R$ 6,2 bilhões em dívidas com bancos vencem em 2026.
Esse cenário aumenta a necessidade de refinanciamento. Portanto, a nova linha de crédito pode ajudar a reorganizar o calendário de pagamentos.
Ao mesmo tempo, a empresa tenta evitar custos ainda maiores com juros ou captações emergenciais.
Bancos internacionais participam da estrutura do financiamento
A operação envolve um sindicato de bancos, estrutura comum em financiamentos corporativos de grande porte. Nesse modelo, várias instituições dividem o empréstimo e compartilham o risco da operação.
Entre os bancos citados por fontes do mercado estão Morgan Stanley e Santander. As duas instituições também participam do processo de venda da CSN Cimentos.
Além deles, o grupo de credores pode incluir Citi, Deutsche Bank, Banco do Brasil, BNP Paribas e HSBC. Outros bancos ainda podem aderir à operação.
Essa estrutura permite distribuir o risco entre várias instituições financeiras. Ademais, facilita a liberação de valores mais elevados.
Endividamento elevado aumenta pressão sobre a empresa
A negociação ocorre em um momento de atenção do mercado ao nível de endividamento da companhia.
Ao fim do terceiro trimestre do ano passado, a dívida líquida da CSN somava cerca de R$ 37,5 bilhões. Desse total, aproximadamente R$ 26,9 bilhões vencem entre 2026 e 2028.
Nesse contexto, investidores acompanham com cautela a situação financeira da empresa. Por outro lado, o ambiente internacional para emissão de dívida corporativa também ficou mais desafiador.
Alguns episódios recentes envolvendo grandes empresas brasileiras aumentaram a percepção de risco entre investidores estrangeiros. Como resultado, novas emissões de títulos podem exigir juros mais altos para atrair compradores.
Rebaixamento de rating e plano de venda de ativos
Recentemente, a agência de classificação de risco Fitch reduziu o rating da CSN de “BB-” para “B” e manteve a perspectiva negativa.
Segundo a agência, o rebaixamento reflete desafios na execução da estratégia de redução da alavancagem financeira. Em outras palavras, o mercado acompanha com atenção a capacidade da empresa de reduzir sua dívida ao longo dos próximos anos.
Diante desse cenário, a companhia anunciou em janeiro um plano de venda de ativos para reorganizar sua estrutura de capital.
Entre as alternativas avaliadas estão a venda da divisão de cimentos e a entrada de parceiros no negócio de infraestrutura. Para conduzir esse processo, a empresa contratou Citi e Bradesco.
Se a negociação avançar nas próximas semanas, o empréstimo da CSN poderá ajudar a aliviar pressões financeiras imediatas e dar mais tempo para a empresa executar seu plano de desalavancagem.





























