O Ibovespa encerrou a sessão desta terça-feira (23) em forte alta e voltou a superar a marca dos 160 mil pontos. O movimento foi impulsionado por dados de inflação abaixo do esperado no Brasil, indicadores positivos da economia dos Estados Unidos e um alívio no cenário político doméstico. Ao mesmo tempo, no mercado de câmbio, o dólar recuou quase 1%, interrompendo uma sequência de sete pregões consecutivos de valorização.
O principal índice da Bolsa brasileira avançou 1,46%, aos 160.455 pontos. Durante o pregão, o Ibovespa oscilou entre a mínima de 158.143 pontos e a máxima de 160.456 pontos. O volume financeiro movimentado somou cerca de R$ 18,9 bilhões. Apesar da alta expressiva, a sessão foi marcada por liquidez reduzida, característica do período que antecede o feriado de Natal.
Inflação abaixo do esperado sustenta o apetite por risco
Um dos principais vetores do bom humor do mercado foi a divulgação do IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial. Em dezembro, o indicador subiu 0,25%, após alta de 0,20% em novembro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou ligeiramente abaixo da projeção de economistas consultados pela Reuters, que estimavam avanço de 0,27%.
Com isso, a inflação acumulada em 12 meses desacelerou para 4,41%, ante 4,50% no mês anterior. Além disso, o índice permaneceu dentro do intervalo de tolerância da meta contínua de inflação. Para analistas, o dado reforçou a leitura de um ambiente macroeconômico mais construtivo para 2026. Como consequência, ações ligadas ao consumo e à economia doméstica foram favorecidas.
Segundo Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, o desempenho também refletiu uma correção técnica. De acordo com ele, havia um excesso de pessimismo incorporado aos preços nos últimos pregões. Esse movimento estava associado, sobretudo, às incertezas políticas recentes. Assim, o mercado aproveitou o cenário mais benigno para recompor posições.
Alívio político contribui para a valorização dos ativos
O noticiário político teve papel relevante na sessão. O cancelamento da entrevista do ex-presidente Jair Bolsonaro ao portal Metrópoles, por motivos de saúde, foi interpretado por parte dos investidores como um sinal de incerteza sobre a consolidação da candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência em 2026.
Nesse contexto, a avaliação predominante foi de redução temporária da volatilidade eleitoral. Como resultado, ativos de risco ganharam fôlego ao longo do dia. Ademais, o movimento contribuiu para a queda do dólar frente ao real.
Influência externa reforça o movimento positivo
No cenário internacional, as bolsas de Nova York fecharam em leve alta. O S&P 500 avançou 0,46% e renovou recorde de fechamento. Já o Dow Jones subiu 0,16%, enquanto o Nasdaq teve ganho de 0,57%. A sessão ocorreu em um ambiente de liquidez reduzida, em função do feriado nos Estados Unidos.
Os investidores acompanharam a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano. No terceiro trimestre, a economia dos EUA cresceu a uma taxa anualizada de 4,3%, acima das expectativas do mercado. O resultado reforçou a percepção de um soft landing, termo usado para descrever a desaceleração da economia sem recessão. Dessa forma, as apostas de manutenção dos juros pelo Federal Reserve no início de 2026 foram preservadas.
Dólar cai quase 1% e interrompe sequência de altas
No mercado de câmbio, o dólar à vista encerrou o dia em queda de 0,95%, cotado a R$ 5,53. Antes disso, a moeda havia acumulado valorização superior a 3% em sete pregões consecutivos. No ano, contudo, o dólar ainda registra alta próxima de 10%.
A desvalorização ocorreu apesar da atuação do Banco Central. Pela manhã, a autoridade monetária vendeu apenas US$ 500 milhões em dois leilões de linha, de um total ofertado de US$ 2 bilhões. Essas operações buscam fornecer liquidez ao mercado em períodos de maior demanda por moeda estrangeira, comuns no fim do ano.
Além do alívio político e do IPCA-15 mais favorável, o movimento encontrou suporte no exterior. Ao longo do dia, o dólar também recuou frente a uma cesta de moedas globais.
Destaques do pregão na Bolsa
Entre os papéis que mais contribuíram para a alta do Ibovespa estiveram ações ligadas ao consumo e ao setor financeiro. A C&A liderou os ganhos, com avanço de 6,39%. Em seguida, Cogna subiu 5,85% e Yduqs avançou 4,85%. O recuo dos juros futuros favoreceu esse grupo.
No setor bancário, o Santander Brasil registrou alta de 4,41%. Banco do Brasil, Itaú Unibanco e Bradesco também encerraram o dia em terreno positivo. Já as ações da Magazine Luiza avançaram 3,34%, após o anúncio de aumento de capital com bonificação de ações.
Por outro lado, a Vale terminou praticamente estável, em meio à correção dos preços do minério de ferro na China. As ações da Petrobras, por sua vez, oscilaram pouco, mesmo com a alta do petróleo no mercado internacional.






























