A Itaúsa ampliou sua participação na Alpargatas, dona da marca Havaianas, e passou a deter cerca de 15,94% das ações preferenciais da companhia. Com isso, a fatia conjunta dos acionistas controladores — Itaúsa e Grupo MS — superou 40% do capital preferencial. O movimento ocorreu em meio à repercussão negativa de uma campanha publicitária da Havaianas e foi acompanhado por forte reação positiva das ações no mercado.
Na sessão seguinte ao auge da controvérsia, os papéis da Alpargatas registraram alta próxima de 4%, revertendo as perdas do pregão anterior. O desempenho indicou que o mercado financeiro dissociou o ruído político do fundamento econômico da empresa.
Aumento de participação reforça controle acionário
Nos últimos dias, a Itaúsa elevou sua posição em ações preferenciais da Alpargatas, alcançando aproximadamente 54,7 milhões de papéis. Do outro lado do bloco de controle está o Grupo MS, da família Moreira Salles, que detém cerca de 24% das ações preferenciais, além de uma posição adicional via contratos de swap com liquidação financeira.
Dessa forma, a participação combinada dos controladores passou a representar cerca de 40,03% das ações preferenciais da companhia. Segundo os próprios acionistas, no entanto, o reforço da posição não implica mudanças no controle nem na estrutura de governança da empresa.
Além disso, as ações adquiridas permanecem vinculadas ao acordo de acionistas firmado em setembro de 2017, o que preserva o modelo de gestão já estabelecido.
Campanha da Havaianas gera reação política
O aumento de participação ocorre em um momento de exposição pública da Alpargatas. Às vésperas do fim do ano, a empresa entrou no centro de uma controvérsia após o lançamento de um comercial da Havaianas estrelado pela atriz Fernanda Torres.
Na peça, a atriz utiliza um jogo de palavras ao afirmar que não deseja que o público comece o novo ano “com o pé direito”, mas sim “com os dois pés”, em referência a atitude, movimento e entrega pessoal. A mensagem, contudo, foi interpretada por parlamentares e influenciadores conservadores como uma provocação política.
Como consequência, surgiram nas redes sociais manifestações de boicote à marca. Entre os conteúdos publicados, apareceram vídeos de consumidores descartando ou danificando produtos, além de anúncios simbólicos oferecendo pares de Havaianas por valores irrisórios.
Mercado ignora boicote e reage positivamente
Apesar da repercussão nas redes, o impacto no mercado financeiro foi limitado. Inicialmente, parte da imprensa atribuiu ao boicote uma queda aproximada de 2% nas ações da Alpargatas, com suposta perda de valor de mercado. No entanto, o recuo ocorreu em um pregão negativo para empresas ligadas ao varejo de forma geral.
No pregão seguinte, os papéis da companhia subiram com força, recuperando as perdas e adicionando cerca de R$ 455 milhões em valor de mercado. Esse movimento reforçou a leitura de que a oscilação anterior não teve relação direta com a controvérsia publicitária.
Estratégia de longo prazo da Itaúsa
A decisão da Itaúsa de ampliar sua posição na Alpargatas não é pontual. A holding ingressou na companhia em 2017 e, desde então, vem consolidando uma participação estratégica de longo prazo, ao lado do Grupo MS.
Portanto, o movimento recente reflete a continuidade de uma tese já conhecida. A Itaúsa tem reiterado que enxerga na Alpargatas um importante vetor de geração de valor e dividendos no médio e longo prazo.
Atualmente, o portfólio da holding reúne sete empresas, que somam cerca de R$ 170 bilhões em valor de mercado. Além do Itaú Unibanco, fazem parte do grupo companhias como Dexco, Motiva, Aegea, Copa Energia, NTS e a própria Alpargatas.
Historicamente, a maior parte dos dividendos distribuídos pela Itaúsa teve origem no setor financeiro. Contudo, esse cenário começa a mudar. À medida que as empresas não financeiras amadurecem, a holding ganha espaço para diversificar suas fontes de proventos.
Em evento recente com investidores, a diretora financeira da Itaúsa, Priscila Grecco, afirmou que, no médio e longo prazo, a companhia deverá ampliar a distribuição de dividendos oriundos de ativos fora do setor bancário.






























