A Kepler Weber anunciou que seu conselho de administração aprovou um acordo de combinação de negócios com a Grain & Protein Technologies (GPT), empresa americana que controla a marca GSI. A proposta prevê pagamento de R$ 11 por ação aos acionistas, além da possibilidade de um valor adicional condicionado a metas futuras.
Com a transação, a Kepler Weber pode deixar o Novo Mercado da B3 e até cancelar seu registro como companhia aberta. Além disso, o acordo prevê a incorporação das ações da empresa brasileira por uma sociedade criada para viabilizar a operação.
Ainda assim, o negócio só avançará após a aprovação dos acionistas em assembleia e da análise de autoridades regulatórias no Brasil e na Colômbia.
Estrutura da proposta apresentada pela GPT
O acordo estabelece que cada ação ordinária da Kepler Weber será convertida em uma ação preferencial resgatável da nova companhia formada após a combinação de negócios.
Nesse sentido, os acionistas poderão escolher entre duas alternativas de pagamento.
Classe A — pagamento integral em dinheiro
- R$ 11 por ação no fechamento da operação
- Possibilidade de receber até R$ 1 adicional por ação no futuro
Classe B — dinheiro mais participação
- R$ 8 por ação em dinheiro
- 0,4299 quotas da GPT BR
- Possibilidade de receber o mesmo valor adicional de até R$ 1 por ação
Ademais, o valor adicional segue o modelo conhecido como earn-out. Nesse tipo de estrutura, a empresa condiciona parte do pagamento a metas ou eventos futuros.
No caso da operação envolvendo a Kepler Weber, o contrato prevê R$ 0,70 em até cinco anos e R$ 0,30 em até dez anos após o fechamento da transação.
Prazo para decisão dos acionistas
Após a assembleia geral extraordinária que analisará o negócio, os acionistas terão 15 dias para escolher entre a Classe A ou a Classe B.
Caso o investidor não se manifeste dentro do prazo, receberá automaticamente a alternativa de pagamento integral em dinheiro. Por outro lado, quem optar pela Classe B ainda poderá rever sua decisão posteriormente.
Nesse caso, o acordo concede 60 dias após o fechamento da operação para que o acionista venda as quotas recebidas para a GPT BR. Assim, o investidor poderá receber valor equivalente ao que obteria se tivesse escolhido a Classe A desde o início.
Além disso, o valor em dinheiro sofrerá correção pelo CDI durante um período específico até a conclusão da transação.
Possíveis ajustes no valor final da operação
O cálculo do valor da empresa considerou as demonstrações financeiras de 30 de setembro de 2025.
Portanto, desembolsos relevantes de caixa entre essa data e o fechamento da operação podem reduzir o valor final pago aos acionistas.
Esse tipo de ajuste aparece com frequência em operações de fusões e aquisições. Afinal, ele busca alinhar o preço da transação à situação financeira da empresa no momento em que o negócio se concretiza.
Aprovações regulatórias ainda necessárias
Antes de concluir a operação, a Kepler Weber ainda precisa cumprir algumas etapas.
Entre elas estão:
- aprovação dos acionistas em assembleia geral extraordinária
- autorização de autoridades concorrenciais, incluindo o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)
- confirmação de compromissos de voto de acionistas relevantes
Ademais, a empresa contratou o Itaú BBA para elaborar uma fairness opinion. Esse relatório independente avalia se os termos financeiros da operação são considerados justos para os acionistas.
Possível saída da Kepler Weber da Bolsa
Se a operação avançar, a Kepler Weber poderá encerrar sua listagem no Novo Mercado da B3.
Nesse cenário, a empresa poderá converter seu registro para categoria B, que permite negociação restrita de valores mobiliários. Alternativamente, a companhia poderá cancelar o registro de empresa aberta.
Como consequência, as ações da empresa deixariam de ser negociadas na bolsa brasileira.
Contexto das empresas envolvidas
A Kepler Weber ocupa posição relevante no mercado brasileiro de soluções para armazenagem de grãos. A empresa fabrica equipamentos como silos, sistemas de secagem e estruturas de transporte agrícola.
Por sua vez, a GPT atua globalmente na produção de equipamentos para armazenagem e processamento de grãos. O grupo controla a marca GSI e mantém presença em diversos mercados agrícolas.
Em termos financeiros, a Kepler Weber registrou receita líquida de R$ 1,5 bilhão em 2025, o que representa queda de 7,3% em relação ao ano anterior. Ainda assim, o volume embarcado no período atingiu o terceiro maior nível da última década, o que indica demanda consistente no setor de armazenagem agrícola.





























