As concessões de empréstimos no Brasil recuaram 6,6% em novembro, na comparação com outubro, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo Banco Central. Apesar da queda no fluxo de novas operações, o estoque total de crédito cresceu 0,9% no período, alcançando R$ 6,972 trilhões.
O recuo ocorreu em um contexto de mudanças regulatórias e de condições financeiras mais restritivas. Além disso, alterações recentes nas regras do saque-aniversário do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) influenciaram diretamente o volume de crédito concedido no mês.
Crédito com recursos livres e direcionados recua
No crédito com recursos livres — modalidade em que bancos e clientes negociam livremente taxas e prazos — as concessões caíram 5,6% em novembro. Já nas operações com recursos direcionados, que seguem regras definidas pelo governo, a retração foi mais intensa, de 14,3%.
Esse movimento contribuiu para a desaceleração geral do crédito no mês. Ainda assim, o saldo total continuou em alta, refletindo contratos já existentes e a expansão gradual da carteira de crédito.
Juros sobem no crédito livre e caem no direcionado
As taxas de juros apresentaram comportamento distinto entre as modalidades. No crédito livre, a taxa média cobrada pelas instituições financeiras subiu para 46,7% ao ano. O avanço foi de 0,6 ponto percentual em relação a outubro.
Por outro lado, nos financiamentos com recursos direcionados, os juros recuaram 0,5 ponto percentual, atingindo 11,1% ao ano. Esse tipo de operação costuma apresentar custos menores, pois conta com subsídios ou regras específicas.
Como resultado, o spread bancário — diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa final cobrada do cliente — aumentou no crédito livre. Em novembro, o indicador chegou a 33,2 pontos percentuais, ante 32,4 pontos no mês anterior.
Mudanças no saque-aniversário do FGTS impactam crédito pessoal
Segundo o Banco Central, parte da queda nas concessões está relacionada às alterações nas regras do saque-aniversário do FGTS. A mudança reduziu em 31% o volume de crédito pessoal não consignado em novembro.
De acordo com Renato Baldini, chefe-adjunto do Departamento de Estatísticas do BC, o Conselho Curador do FGTS tornou mais restritivas as condições para a antecipação desses recursos. Com isso, houve impacto direto sobre a demanda por crédito.
Ademais, a mudança afetou a taxa média de juros dessa modalidade. Em novembro, os juros do crédito pessoal não consignado subiram 5,5%.
Isso ocorre porque o saque-aniversário costuma ter taxas mais baixas. Assim, quando o volume dessas operações diminui, a taxa média do conjunto tende a aumentar.






























