A intensificação da guerra no Oriente Médio pode gerar impactos relevantes sobre o setor agrícola nacional nos próximos meses. O aumento das tensões militares na região — que concentra rotas logísticas estratégicas e grande parte da produção global de energia — acendeu um alerta entre produtores e exportadores.
Nesse cenário, a principal preocupação envolve o possível aumento dos custos de produção e transporte. Além disso, há receio de que dificuldades logísticas prejudiquem o acesso a mercados importantes para o agronegócio brasileiro.
Embora ainda exista incerteza sobre a duração e a intensidade do conflito, especialistas apontam que a instabilidade pode afetar o comércio global. Como consequência, cadeias produtivas ligadas ao agro tendem a sentir os efeitos de eventuais interrupções nas rotas comerciais.
Oriente Médio é mercado relevante para o agro brasileiro
Nos últimos anos, o Oriente Médio consolidou-se como um mercado importante para produtos agrícolas brasileiros. Desde o início dos anos 2000, o comércio entre o Brasil e países da região registrou crescimento consistente.
Em 2025, por exemplo, o país exportou cerca de US$ 12,4 bilhões em produtos do agronegócio para o Oriente Médio. Esse volume representou aproximadamente 7,4% das vendas externas do setor.
Entre os principais produtos enviados estão:
- milho
- açúcar
- soja
- carne bovina
- carne de frango
Ademais, o Brasil ocupa posição de destaque na exportação de proteína animal halal, produzida de acordo com normas da tradição islâmica. Por esse motivo, diversos países da região mantêm forte relação comercial com o agronegócio brasileiro.
Irã lidera compras de milho brasileiro
Entre os países compradores, o Irã aparece como um dos principais destinos das exportações agrícolas do Brasil. Em 2025, o país respondeu por cerca de 23,6% das compras da região, movimentando aproximadamente US$ 2,9 bilhões.
Além disso, o Irã foi o principal importador de milho brasileiro no ano, adquirindo cerca de 9 milhões de toneladas do grão. O volume é significativamente superior à média da última década, que gira em torno de 5 milhões de toneladas.
Na sequência aparecem outros dois parceiros relevantes:
- Arábia Saudita, responsável por cerca de 23,3% das compras;
- Emirados Árabes Unidos, com aproximadamente 20,4%.
Por outro lado, a participação regional em algumas commodities ainda é limitada. As exportações de soja para o Oriente Médio somaram cerca de 1,3 milhão de toneladas, o que representa apenas 1,3% do total exportado pelo Brasil. Já o açúcar registrou aproximadamente 499 mil toneladas, equivalente a 1,5% das vendas externas do produto.
Rotas marítimas estratégicas aumentam riscos
Outro fator que preocupa o setor envolve a logística internacional. Isso porque o Oriente Médio concentra algumas das rotas marítimas mais importantes do comércio global.
Um dos pontos estratégicos é o Estreito de Ormuz, passagem localizada entre Irã e Omã. Por ali circula cerca de 20% do petróleo e do gás natural transportados no mundo.
Ademais, o Estreito de Bab el-Mandeb conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden. Esse corredor marítimo funciona como acesso ao Canal de Suez, rota essencial para o transporte de mercadorias entre Ásia e Europa.
Caso a instabilidade militar afete essas regiões, empresas de navegação podem ser obrigadas a alterar rotas ou ampliar trajetos marítimos. Como resultado, o tempo de transporte aumenta e os custos logísticos tendem a subir.
Custos logísticos podem pressionar produtores
Diante desse cenário, o agronegócio brasileiro pode enfrentar novos desafios financeiros. A elevação da percepção de risco em áreas próximas ao conflito costuma provocar aumento nos seguros marítimos e nos fretes internacionais.
Consequentemente, os custos de exportação podem subir. Para produtores e empresas do setor, isso significa menor competitividade no mercado internacional.
Além disso, o impacto ocorre em um momento delicado para o agro. Atualmente, produtores lidam com juros elevados, custos de produção pressionados e maior restrição ao crédito rural.
Portanto, qualquer aumento adicional nos gastos logísticos pode reduzir margens e dificultar a manutenção de mercados externos.
Evolução do conflito será decisiva
Apesar das preocupações, os efeitos concretos ainda dependem da evolução do conflito. A duração das hostilidades e o grau de interferência nas rotas marítimas serão fatores determinantes.
Enquanto isso, empresas e produtores acompanham o cenário com cautela. Afinal, o Oriente Médio permanece como um mercado relevante para o agronegócio brasileiro e como um ponto estratégico para o comércio internacional.





























