O IGP-10 caiu 0,24% em março, após recuar 0,42% em fevereiro, conforme dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas. Com isso, o índice acumula baixa de 0,36% no ano e retração de 2,53% em 12 meses.
O indicador mede a variação de preços desde matérias-primas até o consumidor final. No mesmo período de 2025, o cenário era diferente: o índice subiu 0,04% no mês e acumulava alta de 8,59% em 12 meses.
Queda das commodities pressiona o IGP-10
A retração do IGP-10 ocorreu, principalmente, devido à queda nos preços de commodities relevantes. Entre elas, destacam-se minério de ferro, soja e milho, que possuem grande peso no atacado.
Além disso, o economista André Braz, do Ibre/FGV, apontou recuos em itens ligados ao consumo. Cursos formais e passagens aéreas registraram redução, o que contribuiu para aliviar a inflação.
Por outro lado, a construção civil também influenciou o resultado. Nesse setor, os custos com mão de obra avançaram em ritmo mais moderado.
Atacado mantém influência negativa no índice
O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-10) caiu 0,39% em março. Em fevereiro, o recuo havia sido mais intenso, de 0,80%.
Nesse contexto, os diferentes estágios de produção apresentaram comportamentos distintos. Os Bens Finais voltaram a subir, indicando recuperação pontual. Enquanto isso, os Bens Intermediários recuaram novamente.
Já as Matérias-Primas Brutas continuaram em queda. No entanto, a intensidade da retração diminuiu em relação ao mês anterior.
Assim, o atacado segue como principal fator de pressão negativa sobre o IGP-10.
Consumo desacelera com destaque para educação e transportes
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-10) subiu 0,03% em março. O resultado mostra desaceleração relevante frente ao avanço de 0,50% registrado em fevereiro.
Entre os grupos analisados, Educação, Leitura e Recreação apresentaram queda expressiva. Da mesma forma, Transportes desaceleraram, influenciados por passagens aéreas mais baratas.
Ademais, Alimentação, Saúde e Habitação continuaram em alta. Contudo, esses grupos perderam força na comparação mensal.
Em contrapartida, Vestuário e Comunicação voltaram ao campo positivo. Já Despesas Diversas registraram aceleração.
Construção civil perde ritmo de alta
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-10) subiu 0,29% em março. Em fevereiro, a alta havia sido de 0,47%.
Todos os componentes contribuíram para essa desaceleração. Materiais e Equipamentos subiram menos. Ao mesmo tempo, Serviços perderam força.
Além disso, os custos com Mão de Obra avançaram em ritmo mais lento. Esse movimento indica redução gradual da pressão inflacionária no setor.
Resultado fica próximo das expectativas do mercado
O mercado financeiro projetava queda média de 0,28% para o IGP-10 em março. As estimativas variavam entre -0,91% e -0,08%.
Portanto, o resultado divulgado ficou alinhado às expectativas. Isso reforça a leitura de desaceleração gradual da inflação em diferentes etapas da economia.
Por fim, a FGV calcula o índice com base na comparação entre dois períodos. Neste caso, os preços coletados entre 11 de fevereiro e 10 de março foram comparados aos do intervalo anterior.





























