Morar de aluguel se tornou realidade para uma parcela crescente da população brasileira. Segundo dados do IBGE, cerca de um em cada cinco moradores vive em imóveis alugados no país. Ainda assim, muitos inquilinos não consideram um risco frequente: a perda de bens pessoais em situações como incêndios, roubos ou danos elétricos. Nesse contexto, o seguro residencial para inquilinos surge como alternativa para proteger o patrimônio individual dentro de um imóvel que não é próprio.
Isso acontece porque, em geral, o seguro do proprietário cobre apenas a estrutura da residência. Ou seja, paredes, telhado e instalações fixas ficam protegidos. Por outro lado, móveis, eletrodomésticos, eletrônicos e objetos pessoais do morador costumam ficar fora dessa cobertura. Assim, o risco financeiro recai diretamente sobre quem vive no imóvel.
Cresce o número de imóveis alugados, mas a proteção ainda é baixa
Embora a moradia por aluguel tenha se expandido nos últimos anos, a proteção patrimonial ainda é limitada. De acordo com levantamento da Susep, apenas cerca de 20% das residências brasileiras possuem seguro residencial. Portanto, a maioria dos lares permanece vulnerável a prejuízos inesperados.
Nesse cenário, especialistas destacam que o principal benefício da contratação é a proteção do conteúdo da casa. Segundo Camila Beck, da Simple2u, o seguro voltado ao inquilino cobre eventos como incêndios, roubos, danos elétricos e fenômenos naturais. Além disso, pode incluir serviços emergenciais.
Essas assistências costumam envolver reparos hidráulicos, dedetização e outros atendimentos domésticos urgentes. Dessa forma, o seguro funciona como um mecanismo de proteção financeira diante de imprevistos que poderiam comprometer o orçamento familiar.
Quanto custa o seguro residencial para inquilinos
O valor da apólice varia conforme o nível de cobertura escolhido, o valor dos bens protegidos e as características do imóvel. Em média, o custo anual pode ficar entre R$ 300 e R$ 1.500. Assim, existem planos mensais a partir de cerca de R$ 25.
Naturalmente, o preço tende a aumentar quando o morador inclui coberturas adicionais. Entre as mais comuns estão:
- proteção contra danos elétricos em equipamentos
- cobertura para responsabilidade civil
- serviços de assistência residencial 24 horas
- reparo ou reposição de bens danificados
Consequentemente, quanto mais ampla a cobertura, maior a previsibilidade financeira diante de eventos inesperados.
Como funciona a contratação em imóveis alugados
Além do aspecto financeiro, a contratação envolve regras contratuais. Em princípio, o seguro obrigatório da estrutura costuma ser responsabilidade do proprietário. No entanto, contratos de locação frequentemente transferem esse custo ao inquilino.
De acordo com Rafael Marutaka, CEO do Grupo Lamadre, o ponto central é verificar o alcance da cobertura contratada. Em muitos casos, o seguro mínimo protege apenas o imóvel físico. Portanto, beneficia o proprietário, mas não cobre os bens do morador.
Por esse motivo, especialistas recomendam confirmar se a apólice inclui também o conteúdo interno da residência. Ao mesmo tempo, contratar por meio de imobiliárias pode reduzir custos, já que essas empresas negociam seguros em volume. Além disso, normalmente oferecem parcelamento junto ao boleto do aluguel.
Responsabilidade civil e danos a terceiros
Outra possibilidade relevante é a inclusão da cobertura de responsabilidade civil do morador. Esse tipo de proteção cobre danos involuntários causados a terceiros.
Por exemplo:
- vazamentos que atingem unidades vizinhas
- incêndios que se espalham para outros imóveis
- acidentes envolvendo animais de estimação
- danos estruturais provocados por falhas internas
Sem esse tipo de cobertura, o morador pode ter que arcar com despesas elevadas. Portanto, a proteção funciona também como prevenção de passivos financeiros inesperados.
Documentos exigidos e processo de indenização
A contratação direta com seguradoras costuma exigir documentos básicos, como identificação pessoal e comprovante de endereço. No entanto, em caso de sinistro — termo técnico usado para definir a ocorrência de um evento coberto pelo seguro — o processo de análise se torna mais detalhado.
Normalmente, são solicitados:
- apólice do seguro
- contrato de aluguel
- boletim de ocorrência, quando aplicável
- comprovantes de propriedade dos bens
- orçamentos ou notas fiscais de reparo
Em seguida, a seguradora verifica as informações apresentadas. Depois dessa análise, a indenização é liberada conforme as condições previstas no contrato.
Vale a pena contratar?
A decisão depende principalmente do valor dos bens acumulados e do nível de risco que o morador está disposto a assumir. Ainda assim, o custo relativamente baixo em comparação com possíveis prejuízos é frequentemente apontado como fator decisivo.
Diante do aumento do número de imóveis alugados e da concentração de patrimônio dentro das residências, o seguro residencial para inquilinos tende a ganhar importância como instrumento de proteção financeira no cotidiano urbano. Por fim, a contratação representa, para muitos moradores, uma forma de transformar incerteza em previsibilidade.





























