Entidades dos setores de transporte, combustíveis e logística defenderam, na quinta-feira (9), a manutenção do rigor técnico nos testes antes de qualquer decisão sobre o aumento da mistura de biodiesel no diesel no Brasil. O posicionamento foi divulgado em nota conjunta, às vésperas de uma decisão do governo sobre o tema.
O documento reúne organizações como Abicom, CNT, IBP, Brasilcom, Fecombustíveis, SindTRR, Sindoco e Semove. Segundo as entidades, a prioridade é garantir a segurança operacional e preservar a integridade da frota movida a diesel no país.
Testes técnicos são apontados como prioridade
As entidades afirmam que o cumprimento da Lei do Combustível do Futuro depende da comprovação da viabilidade técnica da nova mistura. Em termos práticos, isso significa testar se motores, sistemas de injeção e componentes suportam níveis mais elevados de biodiesel sem prejuízos.
Além disso, o grupo sustenta que fatores conjunturais não devem interferir em decisões técnicas. Por exemplo, oscilações no preço internacional do diesel não justificam a flexibilização de critérios.
Como resultado, o setor defende a manutenção de padrões rigorosos. Esse cuidado busca evitar falhas mecânicas, aumento de custos de manutenção e impactos na operação do transporte.
Frota diversificada exige critérios mais rígidos
O Brasil possui uma frota a diesel bastante heterogênea. Há veículos com diferentes tecnologias, idades e fabricantes circulando simultaneamente.
Por isso, as entidades reforçam que especificações técnicas precisam considerar essa diversidade. Caso contrário, o consumidor final pode enfrentar prejuízos, enquanto a cadeia logística pode sofrer perdas de eficiência.
Nesse contexto, o rigor técnico funciona como um mecanismo de proteção tanto econômica quanto operacional.
Governo avalia aumento da mistura de biodiesel
O debate ocorre enquanto o governo analisa elevar a mistura de biodiesel no diesel. Atualmente, o percentual obrigatório é de 15%, mas produtores defendem a ampliação para até 20%.
Ao mesmo tempo, o setor de biocombustíveis enxerga uma oportunidade. Como o diesel importado ficou mais caro, o biodiesel nacional ganhou competitividade.
Assim, uma mistura maior poderia reduzir a dependência externa e fortalecer a segurança energética do país. Uma decisão oficial era esperada em reunião nesta sexta-feira (10).
Proposta busca acelerar o processo de testes
Para antecipar a análise técnica, representantes do setor discutem a ampliação da estrutura de testes. A principal proposta envolve a contratação de novos laboratórios especializados.
Com isso, o prazo das avaliações pode cair de cerca de 14 meses para aproximadamente quatro meses. Ainda assim, fontes do governo afirmam que não há intenção de flexibilizar exigências.
Ou seja, a mudança busca apenas reduzir o tempo do processo, sem comprometer a qualidade das análises.
Indústria defende aprovação mais ampla
A proposta conta com apoio da AliançaBiodiesel, entidade criada por representantes da indústria de óleos vegetais e biocombustíveis.
O grupo defende a realização de testes mais abrangentes. Dessa forma, seria possível aprovar misturas mais altas em uma única etapa.
Mesmo assim, a implementação poderia ocorrer de forma gradual. Essa estratégia evitaria novos ciclos longos de testes a cada aumento percentual.
Impactos econômicos e desafios logísticos
O Brasil importa cerca de 25% do diesel que consome. Portanto, ampliar a mistura de biodiesel no diesel pode reduzir custos com importação e estimular a produção nacional.
Por outro lado, especialistas alertam para riscos operacionais. Caso ocorram falhas técnicas, problemas na frota podem afetar o transporte de cargas e passageiros.
Consequentemente, impactos logísticos podem pressionar preços e comprometer prazos. Por isso, o governo precisa equilibrar ganhos econômicos com segurança técnica.





























