O Banco do Brasil (BBAS3) registrou R$ 4,25 bilhões em propostas de financiamento durante a Agrishow 2026, realizada ao longo de cinco dias em Ribeirão Preto (SP). O valor representa queda de 10,5% em relação ao ano anterior, mas supera a projeção inicial da instituição, que estimava cerca de R$ 3 bilhões.
No evento de 2025, o banco havia alcançado R$ 4,75 bilhões em propostas, o maior volume já registrado pela instituição na feira, considerada a principal do agronegócio na América Latina. Apesar da retração em 2026, o desempenho indica manutenção da demanda por crédito rural, mesmo em um cenário econômico mais restritivo.
Financiamento na Agrishow reflete perfil diversificado do agro
As propostas registradas pelo Banco do Brasil abrangem diferentes linhas de crédito voltadas ao setor. Entre os principais destinos estão investimentos em máquinas agrícolas, sistemas de armazenagem, irrigação, tecnologia e custeio da produção.
O custeio, por exemplo, refere-se ao financiamento das despesas operacionais da safra, como sementes, fertilizantes e insumos. Já os investimentos estruturais envolvem aquisição de equipamentos e melhorias produtivas.
Segundo o banco, os recursos contemplam produtores de diferentes portes, desde a agricultura familiar até grandes empresas do setor.
Em nota, o vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar da instituição, Gilson Bittencourt, afirmou que o resultado reflete a continuidade dos investimentos no campo. Ele destacou que, mesmo diante de um ambiente econômico mais desafiador, os produtores mantêm a busca por crédito alinhado às suas necessidades.
Agrishow registra queda geral nas intenções de negócios
O volume total de intenções de negócios da Agrishow 2026 alcançou R$ 11,4 bilhões, de acordo com dados divulgados pela organização do evento. O número representa uma retração de 22% em comparação com o ano anterior.
Entre os fatores apontados para a redução estão a elevação das taxas de juros, a volatilidade cambial e os preços menos favoráveis das commodities agrícolas. Esses elementos tendem a impactar diretamente a capacidade de investimento dos produtores rurais.
Carteira de crédito do agro segue sob monitoramento
A carteira de crédito voltada ao agronegócio tem exercido pressão sobre os resultados recentes do Banco do Brasil. O aumento da inadimplência — ou seja, o atraso no pagamento de dívidas — levou a instituição a revisar políticas de concessão e cobrança.
Executivos do banco têm reiterado que o financiamento ao setor permanece como prioridade estratégica. No entanto, o cenário atual exige maior cautela, diante do crescimento de pedidos de recuperação judicial no campo e dos impactos de fatores externos, como tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Estratégia busca melhorar qualidade da carteira
De acordo com o banco, parte relevante dos pagamentos recebidos atualmente ainda está ligada a contratos firmados no ciclo anterior, especialmente entre abril e junho de 2025. Isso explica, em parte, o comportamento recente da carteira.
Por outro lado, operações mais recentes, estruturadas com garantias mais robustas — como a alienação fiduciária, mecanismo em que um bem é dado como garantia do crédito — já apresentam melhor desempenho em termos de adimplência.
Essas operações ainda representam cerca de 20% da carteira de custeio, mas indicam uma tendência de melhora na qualidade do crédito concedido.




























