Os fundos de criptomoedas registraram entradas de US$ 1,2 bilhão na última semana, marcando o quarto período consecutivo de fluxo positivo, segundo levantamento da CoinShares. O movimento ocorre em meio à recuperação do mercado, com o Bitcoin em patamares mais elevados desde o início de fevereiro, e à expectativa dos investidores pela decisão de juros do banco central dos Estados Unidos.
Fluxo positivo reflete maior interesse institucional
De acordo com o relatório, os ingressos indicam uma retomada da demanda por parte de investidores institucionais — como bancos, gestoras e fundos —, que costumam operar com volumes elevados e estratégias de longo prazo.
Esse comportamento coincide com a valorização recente do Bitcoin, principal ativo do mercado. A criptomoeda voltou a ser negociada em níveis mais altos, o que tende a atrair novos aportes e reforçar o interesse por produtos financeiros atrelados ao setor, como fundos e ETFs (fundos negociados em bolsa).
Decisão do Fed mantém cautela no mercado
Apesar do avanço nos fluxos, o ambiente segue marcado por cautela. O mercado global aguarda a próxima decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, prevista para quarta-feira (29).
Mudanças nos juros americanos influenciam diretamente ativos de risco — categoria que inclui criptomoedas —, pois alteram o custo do dinheiro e a atratividade de investimentos mais conservadores. Por isso, parte dos investidores tem adotado postura mais defensiva no curto prazo.
Patrimônio sob gestão cresce, mas segue abaixo do pico
O total de ativos sob gestão (AuM, na sigla em inglês) — indicador que representa o volume total administrado pelos fundos — alcançou US$ 155 bilhões. Trata-se do maior nível desde 1º de fevereiro.
Ainda assim, o montante permanece distante do recorde de US$ 263 bilhões registrado em outubro de 2025, o que indica que o mercado ainda está em processo de recuperação.
Estados Unidos lideram entradas; Europa também avança
Na divisão por regiões, os Estados Unidos concentraram a maior parte dos recursos, com US$ 1,1 bilhão em entradas.
Na Europa, a Alemanha registrou US$ 61,7 milhões, mais que o dobro da semana anterior. A Suíça também apresentou reversão relevante, com entradas de US$ 35,2 milhões após saídas expressivas no período anterior.
O Canadá, por sua vez, somou US$ 15 milhões, sinalizando uma demanda mais distribuída entre diferentes mercados.
Bitcoin domina fluxos, mas há busca por proteção
Os produtos ligados ao Bitcoin responderam pela maior fatia das entradas, com US$ 933 milhões na semana. Com isso, o fluxo acumulado no ano chegou a US$ 4 bilhões.
Ao mesmo tempo, produtos vendidos (conhecidos como “short”, que lucram com a queda do ativo) registraram captação de US$ 16,5 milhões. Esse tipo de operação funciona como proteção (hedge) contra possíveis recuos de preço, indicando que parte dos investidores ainda busca reduzir riscos.
Ethereum e ações de blockchain ganham espaço
Os fundos atrelados ao Ethereum — segunda maior criptomoeda do mercado — receberam US$ 192 milhões. Foi a terceira semana consecutiva com entradas acima de US$ 190 milhões.
Já os ETFs de ações ligadas à tecnologia blockchain — base das criptomoedas — acumularam US$ 617 milhões em três semanas. O desempenho aponta aumento do interesse por empresas do setor, não apenas pelos ativos digitais em si.




























