Os pedidos de recuperação judicial no agronegócio brasileiro cresceram 56,4% em 2025 na comparação com o ano anterior, segundo levantamento divulgado nesta segunda-feira pela Serasa Experian. Ao todo, foram registradas 1.990 solicitações no período, o maior volume desde o início da série histórica, em 2021.
O aumento ocorre em um cenário marcado por juros elevados, custos de produção pressionados e alto nível de endividamento entre parte dos produtores rurais. Como consequência, muitos agentes da cadeia agropecuária passaram a enfrentar dificuldades para manter o fluxo de caixa.
Em 2024, a empresa de dados havia contabilizado 1.272 pedidos. Já em 2023 foram registradas 534 solicitações. Portanto, os números indicam um avanço consistente das recuperações judiciais nos últimos anos.
Segundo Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, o ambiente financeiro mais restritivo tem dificultado a reorganização das contas no setor.
“O ambiente de crédito mais restritivo, combinado à manutenção de custos elevados de produção e a uma alavancagem elevada, continuou impactando o fluxo de caixa das operações rurais”, afirmou o especialista em nota.
O que significa recuperação judicial no agronegócio
A recuperação judicial no agronegócio é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite a produtores e empresas renegociar dívidas sob supervisão da Justiça. O objetivo é evitar a falência e possibilitar a continuidade das atividades enquanto ocorre a reorganização financeira.
Nesse processo, o devedor apresenta um plano de pagamento aos credores. Caso seja aprovado, as dívidas passam a seguir novas condições de prazo e negociação.
No levantamento da Serasa Experian, os pedidos consideram três perfis distintos da cadeia produtiva:
- produtores rurais que atuam como pessoa física;
- produtores que operam como pessoa jurídica;
- empresas ligadas ao agronegócio, como fornecedoras, processadoras ou tradings.
Ainda assim, especialistas destacam que a recuperação judicial deve ser utilizada apenas em situações extremas.
“A renegociação de dívidas e o planejamento financeiro continuam sendo as melhores estratégias. A recuperação judicial deve ser o último recurso”, afirmou Pimenta.
Estados concentram maior número de pedidos
Os pedidos de recuperação judicial no agronegócio também apresentam concentração geográfica. Em geral, os estados com maior produção agrícola lideram o ranking de solicitações.
Em 2025, Mato Grosso registrou o maior número de casos, com 332 pedidos. Logo em seguida, aparecem Goiás, com 296 registros, e Paraná, com 248.
Na sequência estão Mato Grosso do Sul, com 216 solicitações, e Minas Gerais, com 196 pedidos.
Esses estados concentram grande parte da produção nacional de commodities agrícolas, como soja, milho e algodão. Por isso, possuem uma presença maior de produtores e empresas ligadas ao setor.
Produtores rurais lideram solicitações
Entre os diferentes perfis analisados, os produtores rurais pessoa física registraram o maior volume de pedidos. Foram 853 solicitações em 2025, contra 566 no ano anterior. Isso representa um crescimento de 50,7%.
Por outro lado, os produtores organizados como pessoa jurídica apresentaram o avanço proporcional mais expressivo. Nesse grupo, os pedidos saltaram para 753, aumento de 84,1% na comparação anual.
Enquanto isso, empresas relacionadas ao agronegócio somaram 384 solicitações de recuperação judicial. O número representa crescimento de 29,3% em relação ao ano anterior.
Custos elevados e crédito mais caro pressionam o setor
O avanço da recuperação judicial no agronegócio reflete uma combinação de fatores econômicos que tem pressionado a atividade rural.
Entre os principais pontos apontados por analistas estão:
- aumento dos custos de insumos agrícolas;
- crédito mais caro devido ao patamar elevado das taxas de juros;
- maior nível de endividamento acumulado em safras anteriores.
Além disso, a restrição ao crédito tem reduzido a capacidade de refinanciamento de dívidas no setor. Como resultado, parte dos produtores acaba recorrendo à recuperação judicial como alternativa para reorganizar suas obrigações financeiras.
Mesmo assim, especialistas observam que o número de casos ainda representa uma fração do total de produtores rurais em atividade no país.





























