A Simpar (SIMH3) aprovou um novo programa de recompra de ações e autorizou o uso de instrumentos derivativos com liquidação exclusivamente financeira. A decisão foi divulgada em fato relevante nessa segunda-feira (9).
O conselho de administração tomou a decisão como parte de uma estratégia para fortalecer a estrutura financeira do grupo. Além disso, a medida amplia a exposição da companhia às próprias ações e aos papéis de subsidiárias.
Segundo a empresa, os derivativos não exigem desembolso imediato de caixa. Dessa forma, a operação não provoca impacto direto no nível de alavancagem financeira.
O que significa a recompra de ações
O programa de recompra de ações da Simpar permite que a companhia compre papéis emitidos por ela mesma no mercado.
Esse tipo de operação costuma ocorrer quando a administração considera que a ação está negociada abaixo do valor considerado adequado.
Ademais, a recompra pode cumprir outras funções. Por exemplo, as ações podem servir para programas de remuneração de executivos ou para reduzir o número de papéis em circulação.
Como consequência, a operação pode aumentar o valor relativo das ações restantes. Por isso, muitos investidores interpretam a recompra como um sinal de confiança da empresa no próprio negócio.
Como funcionam os derivativos ligados às ações do grupo
Além da recompra, o conselho autorizou a diretoria a contratar instrumentos derivativos vinculados às ações do grupo.
Derivativos são contratos financeiros cujo valor depende do desempenho de outro ativo. Esse ativo pode ser uma taxa de juros, moeda, commodity ou ação.
No caso da Simpar, os contratos poderão ter como referência ações da própria empresa e de suas controladas. Entre elas estão:
- Movida (MOVI3)
- Vamos (VAMO3)
- JSL (JSLG3)
- Automob (AMOB3)
Na prática, esses instrumentos permitem que a companhia tenha exposição à variação das ações sem comprá-las diretamente.
Assim, o resultado financeiro dependerá do desempenho desses papéis no mercado.
De acordo com a companhia, essa estratégia amplia a exposição econômica aos ativos do grupo de forma chamada sintética. Ou seja, a empresa usa contratos financeiros em vez de adquirir as ações.
Estratégia busca fortalecer estrutura de capital
A companhia informou que a decisão faz parte de um plano mais amplo de reorganização financeira.
Nesse contexto, a estratégia busca otimizar a estrutura de capital da empresa e de suas subsidiárias. Além disso, o grupo pretende reduzir o custo de financiamento.
No entanto, os efeitos dos derivativos ainda dependem de um passo adicional. Eles só entrarão em vigor após a homologação do aumento de capital anunciado pela empresa.
A assembleia que analisará a operação está prevista para 30 de março de 2026.
Simpar prepara aumento de capital bilionário
A recompra de ações ocorre em paralelo a um aumento de capital privado aprovado recentemente pela companhia.
A operação pode movimentar entre R$ 1,4 bilhão e R$ 2 bilhões. Entre os participantes está a BNDES Participações (BNDESPar), braço de investimentos do banco de fomento.
Segundo o plano divulgado, a Simpar pretende emitir entre 124,5 milhões e 177,9 milhões de novas ações. O preço definido foi de R$ 11,24 por papel.
Com isso, a captação mínima prevista chega a R$ 1,4 bilhão.
A BNDESPar assumiu compromisso de investir entre R$ 600 milhões e cerca de R$ 679,7 milhões. Ao mesmo tempo, a controladora JSP poderá aportar entre R$ 188 milhões e R$ 300 milhões.
Investidores institucionais também manifestaram interesse. Eles se comprometeram com cerca de R$ 500 milhões na operação.
Subsidiárias também terão reforço de caixa
Além da Simpar, outras empresas do grupo também preparam capitalizações.
A Vamos (VAMO3) aprovou um aumento de capital que pode variar entre R$ 400 milhões e R$ 600 milhões. As novas ações terão preço de R$ 3,85 por papel.
Já a Movida (MOVI3) autorizou uma capitalização entre R$ 500 milhões e R$ 750 milhões. Nesse caso, o preço de emissão será de R$ 11,72 por ação.
A BNDESPar também participará dessas operações. O investimento previsto varia entre R$ 200 milhões e R$ 300 milhões na Vamos. Na Movida, o aporte pode ficar entre R$ 250 milhões e R$ 375 milhões.
Por fim, a própria Simpar poderá direcionar recursos para essas subsidiárias. Dessa maneira, o grupo pretende fortalecer o caixa das empresas e sustentar sua estratégia financeira.





























