A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) pediu ao governo federal a elevação da mistura de biodiesel no diesel de 15% (B15) para 17% (B17). A entidade encaminhou o pedido ao gabinete do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.
O tema deve entrar na pauta da reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), marcada para quinta-feira (12). O colegiado define diretrizes estratégicas para o setor energético brasileiro.
Segundo a CNA, ampliar a participação do biocombustível pode reduzir pressões recentes sobre o preço do diesel. Dessa forma, a medida ajudaria a evitar impactos nos custos do agronegócio.
O diesel é essencial para máquinas agrícolas e para o transporte da produção. Portanto, qualquer alta relevante no combustível afeta diretamente as despesas do setor.
CNA relata aumento do diesel em algumas regiões
A CNA afirma que federações estaduais de agricultura relataram aumentos no preço do diesel em diferentes regiões do país.
De acordo com o diretor técnico da entidade, Bruno Lucchi, algumas distribuidoras têm citado o conflito no Oriente Médio como justificativa para reajustes. No entanto, segundo ele, a Petrobras ainda não anunciou mudança oficial nos preços.
Lucchi afirma que, em certos locais, o combustível já subiu até R$ 1 por litro nas bombas. Na avaliação da confederação, esse movimento parece desproporcional diante do cenário atual.
Alta do petróleo pressiona mercado internacional
Um levantamento da CNA mostra que o barril do petróleo bruto alcançou cerca de US$ 84. Esse valor representa uma alta superior a 20% em relação ao fim de fevereiro.
A valorização ocorreu em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio. Como resultado, aumentaram as incertezas no mercado global de energia.
Ainda assim, a CNA acredita que o Brasil pode reduzir parte desse impacto. Para isso, o país pode ampliar o uso de biocombustíveis produzidos internamente.
O biodiesel, por exemplo, resulta do processamento de grãos e outras matérias-primas agrícolas. Portanto, o aumento da mistura de biodiesel no diesel reduziria a dependência de combustíveis fósseis importados.
Safra recorde amplia oferta para produção de biodiesel
A confederação também destaca o cenário favorável da produção agrícola. O Brasil registrou uma safra recorde no último ciclo, o que ampliou a disponibilidade de grãos usados na fabricação de biodiesel.
Segundo a entidade, essa oferta permite aumentar a participação do biocombustível sem comprometer o abastecimento.
Além disso, a medida poderia aliviar os custos logísticos do agronegócio. O diesel abastece tratores, colheitadeiras e caminhões responsáveis pelo escoamento da produção.
Atualmente, o diesel vendido no país contém 15% de biodiesel. Já a gasolina possui 30% de etanol, mistura conhecida como E30.
CNA defende avanço direto para B17
Tradicionalmente, o governo eleva o percentual de biodiesel de forma gradual, com aumentos de um ponto percentual por vez.
Pelo cronograma anterior, o governo discutiria a adoção do B16 no início de março. Contudo, o debate não ocorreu.
Diante do atual cenário internacional, a CNA propõe um avanço direto para B17. Na avaliação da entidade, essa alternativa representa uma resposta rápida às pressões do mercado.
Agora, o Conselho Nacional de Política Energética deverá analisar o pedido na reunião de quinta-feira (12). O colegiado decidirá se altera ou mantém a atual mistura de biodiesel no diesel.






























