O Mercado Livre (MELI34) registrou lucro líquido de US$ 417 milhões no primeiro trimestre de 2026. O resultado representa queda de 15,6% em relação ao mesmo período do ano passado. O balanço foi divulgado na quinta-feira (7) e mostra o impacto dos investimentos em logística, expansão financeira e políticas de frete grátis.
Apesar da retração no lucro, a empresa manteve forte crescimento de receita. Entre janeiro e março, o faturamento avançou 49% e alcançou US$ 8,8 bilhões. O valor ficou acima das estimativas do mercado, que projetavam US$ 8,3 bilhões. Já o lucro operacional somou US$ 611 milhões, com margem de 6,9%.
Segundo a companhia, o recuo no lucro faz parte da estratégia para ampliar participação de mercado na América Latina. Além disso, este foi o segundo trimestre consecutivo de redução no ganho líquido.
Investimentos pressionam resultado no curto prazo
O Mercado Livre informou que os investimentos em frete grátis, comércio internacional, vendas diretas e expansão do cartão de crédito do Mercado Pago continuam entre as prioridades da companhia.
De acordo com a empresa, a redução do limite mínimo para frete grátis no Brasil, adotada em 2025, acelerou o crescimento da base de consumidores. Como resultado, o número de compradores únicos no País subiu 32% na comparação anual. Esse foi o ritmo mais intenso registrado nos últimos cinco anos.
O GMV (volume bruto de mercadorias), indicador que mede o valor total negociado na plataforma, cresceu 38% no período, desconsiderando os efeitos cambiais.
Ao mesmo tempo, o Mercado Livre conseguiu reduzir custos logísticos mesmo diante do aumento das operações. Os custos unitários de frete caíram 17% no Brasil em moeda local. No trimestre anterior, a redução havia sido de 11%.
Segundo a companhia, o avanço ocorreu devido ao ganho de eficiência da rede logística. Ademais, a empresa destacou o uso de tecnologia para absorver o aumento no volume de entregas.
Mercado Pago amplia usuários e carteira de crédito
A operação financeira da companhia também manteve forte expansão. O Mercado Pago encerrou o trimestre com 83 milhões de usuários ativos mensais. O número representa alta de 29% em relação ao mesmo período de 2025. O crescimento foi impulsionado principalmente pelas operações no Brasil e no México.
Os ativos sob gestão — valor total administrado pela fintech em contas, aplicações e investimentos — cresceram 77% e chegaram perto de US$ 20 bilhões.
Já a carteira de crédito avançou 87% na comparação anual e atingiu US$ 14,6 bilhões. Enquanto isso, a carteira de cartão de crédito dobrou de tamanho e alcançou US$ 6,6 bilhões. O desempenho foi sustentado pela emissão de 2,7 milhões de novos cartões no trimestre.
Segundo o Mercado Livre, parte relevante dos novos clientes do cartão já utilizava o marketplace anteriormente. Agora, porém, esses consumidores também passaram a usar os serviços financeiros da companhia. Dessa forma, a empresa reforça sua estratégia de integrar comércio eletrônico e soluções financeiras em um único ecossistema digital.
Expansão segue como prioridade
Mesmo com pressão sobre a rentabilidade no curto prazo, o Mercado Livre sinalizou que pretende manter o ritmo de investimentos ao longo de 2026. Para a companhia, os gastos atuais fortalecem a posição competitiva do grupo em mercados estratégicos da América Latina.
Analistas acompanham principalmente a capacidade da empresa de equilibrar crescimento acelerado, expansão do crédito e preservação das margens operacionais. Além disso, o mercado monitora o avanço da concorrência no comércio eletrônico e no setor financeiro digital.




























