A Petrobras (PETR3; PETR4) informou nesta segunda-feira (11) que encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 32,66 bilhões, resultado 7,2% menor na comparação com o mesmo período do ano passado. A companhia também anunciou a distribuição de R$ 9,03 bilhões em proventos aos acionistas, na forma de juros sobre capital próprio (JCP).
O desempenho ficou próximo das projeções do mercado financeiro, que estimavam lucro em torno de R$ 30 bilhões. No primeiro trimestre de 2025, a estatal havia registrado ganho líquido de R$ 35,2 bilhões.
A petroleira atribuiu parte da pressão sobre o resultado ao impacto do capital de giro, especialmente relacionado a estoques, fornecedores e exportações ainda em andamento. Além disso, a empresa destacou efeitos ligados ao programa de subvenção do diesel, que prevê compensação financeira às distribuidoras após a concessão de descontos ao consumidor final.
O Ebitda ajustado — indicador que mede a geração operacional de caixa antes de juros, impostos, depreciação e amortização — somou R$ 59,6 bilhões, com leve recuo de 2,4% em relação ao mesmo período de 2025. Sem os ajustes contábeis realizados pela companhia, o indicador teria alcançado R$ 62,88 bilhões, alta de 1,4%.
Já a receita de vendas da Petrobras permaneceu praticamente estável e atingiu R$ 123,86 bilhões, avanço de 0,4% na comparação anual.
Fluxo de caixa da Petrobras recua no trimestre
O fluxo de caixa livre, considerado uma das métricas mais acompanhadas por investidores, ficou em R$ 20 bilhões no trimestre. O valor representa queda de 22,9% frente aos R$ 26 bilhões registrados um ano antes.
Segundo a Petrobras, a redução ocorreu principalmente por efeitos temporários ligados ao capital de giro. A companhia informou que houve impacto de R$ 6,9 bilhões relacionado a estoques e exportações em processo de reconhecimento contábil. Ademais, as contas a receber ligadas ao subsídio do diesel tiveram efeito negativo de R$ 1,5 bilhão no período.
A estatal afirmou ainda que possui R$ 741 milhões a receber do governo federal referentes ao programa de compensação do diesel.
Já a dívida líquida avançou 10,8% em 12 meses e chegou a US$ 62 bilhões. Apesar disso, a alavancagem financeira — relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado acumulado — caiu de 1,45 vez para 1,43 vez, indicador considerado administrável pelo mercado.
Investimentos da Petrobras avançam em exploração e produção
Os investimentos da Petrobras totalizaram US$ 5,1 bilhões entre janeiro e março. O valor representa aumento de 25,6% na comparação anual e redução de 19,1% frente ao quarto trimestre de 2025.
O segmento de exploração e produção concentrou 87,4% dos aportes realizados no período. Dessa forma, a companhia reforçou a estratégia de priorizar operações de maior rentabilidade, especialmente no pré-sal.
Em 31 de março de 2026, a Petrobras informou possuir R$ 34,3 bilhões em caixa e equivalentes de caixa. Além disso, as disponibilidades ajustadas somavam R$ 47,6 bilhões.
Alta do petróleo deve impactar resultados do segundo trimestre
A companhia destacou que o aumento recente das cotações internacionais do petróleo ainda não teve reflexo relevante nos resultados do primeiro trimestre.
O barril do petróleo Brent, referência global para o mercado, teve preço médio de US$ 80,61 no período, alta de 6,5% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Em contrapartida, o dólar médio utilizado nas vendas caiu 9,9%, para R$ 5,26.
Segundo a empresa, existe uma defasagem natural entre o embarque do petróleo e o reconhecimento contábil da receita, principalmente nas exportações para a Ásia. Nesse mercado, a precificação costuma considerar a cotação do mês anterior à chegada da carga ao destino.
Por isso, a estatal avalia que os efeitos positivos da valorização do petróleo deverão aparecer com maior intensidade nos números do segundo trimestre.
Petrobras aprova pagamento de R$ 9 bilhões em proventos
Além dos resultados financeiros, o conselho de administração da Petrobras aprovou a distribuição de R$ 9,03 bilhões em proventos aos acionistas.
O valor corresponde a R$ 0,70097272 por ação ordinária e preferencial em circulação. O pagamento será realizado em duas parcelas iguais, ambas na forma de juros sobre capital próprio.
A primeira parcela, de R$ 0,35048636 por ação, será paga em 20 de agosto de 2026. Já a segunda será depositada em 21 de setembro de 2026.
Para investidores com ações negociadas na B3, a posição acionária considerada será a de 1º de junho de 2026. Assim, a partir de 2 de junho, os papéis passarão a ser negociados na condição de ex-direitos.
A Petrobras informou que a distribuição segue sua política de remuneração aos acionistas, que prevê repasse de 45% do fluxo de caixa livre sempre que o nível de endividamento permanecer dentro do limite definido no plano estratégico da companhia.




























