O Banco do Brasil registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,4 bilhões no primeiro trimestre de 2026, resultado 53,5% menor que o obtido no mesmo período do ano passado. O desempenho sofreu impacto direto do aumento da inadimplência no agronegócio e da alta no custo de crédito, segundo balanço divulgado pela instituição nesta quarta-feira (13).
O resultado ficou próximo das estimativas do mercado financeiro. Analistas consultados pela plataforma LSEG projetavam lucro de R$ 3,49 bilhões para o período.
Além da queda no lucro, o banco reduziu sua projeção de ganhos para 2026. A expectativa passou do intervalo entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões para uma faixa entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões.
Agronegócio pressiona resultado do Banco do Brasil
O agronegócio voltou a pressionar os números da instituição, principal financiadora do setor no país. O custo de crédito — indicador que reúne despesas com provisões para possíveis calotes — avançou 85,8% na comparação anual e alcançou R$ 18,9 bilhões.
Segundo a presidente do banco, Tarciana Medeiros, o resultado mostra a capacidade de geração de negócios da instituição, embora o cenário de crédito tenha ficado mais desafiador.
A carteira de crédito rural somou R$ 418,4 bilhões no trimestre, com alta de 3% em 12 meses. Ainda assim, o índice de inadimplência acima de 90 dias subiu para 6,22%. Um ano antes, a taxa estava em 2,76%.
Na linha de custeio agrícola, a inadimplência atingiu 10,56%. Por isso, o banco reforçou medidas de cobrança e ampliou o uso de garantias nas operações rurais.
Além disso, a instituição aumentou o número de ações judiciais voltadas à recuperação de crédito inadimplente.
Banco do Brasil reduz guidance para 2026
Diante do cenário mais pressionado, o Banco do Brasil revisou parte de suas projeções corporativas, conhecidas no mercado como guidance — termo usado para indicar as expectativas financeiras da empresa para o ano.
A projeção de lucro líquido ajustado caiu para a faixa entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões. Ao mesmo tempo, o banco elevou a expectativa para o custo de crédito em 2026, agora estimado entre R$ 65 bilhões e R$ 70 bilhões.
Segundo a instituição, a revisão considera a continuidade da piora do risco no agronegócio. Ademais, o banco citou as incertezas do cenário geopolítico e os impactos macroeconômicos.
A margem financeira bruta — indicador que mede o ganho do banco com operações de crédito — alcançou R$ 27,4 bilhões no trimestre. O valor cresceu 14,8% na comparação anual. Em relação ao trimestre anterior, porém, houve recuo de 1,3%.
Já o retorno sobre patrimônio líquido (ROE), indicador que mede a rentabilidade do banco, caiu para 7,3%. No primeiro trimestre de 2025, a taxa estava em 16,7%.
Crédito para pessoas físicas cresce no trimestre
Na divisão de pessoas físicas, a carteira de crédito expandida cresceu 7,7% em 12 meses e chegou a R$ 361,8 bilhões.
O crédito consignado impulsionou o resultado, principalmente após o avanço das operações do programa Crédito ao Trabalhador.
Por outro lado, a inadimplência da pessoa física acima de 90 dias avançou para 6,82%. No mesmo período do ano passado, o índice marcava 5,10%.
Carteira de empresas recua
A carteira de pessoas jurídicas somou R$ 449 bilhões, com queda de 2,4% em 12 meses.
O recuo ocorreu principalmente nas operações com micro, pequenas e médias empresas. Esse segmento registrou retração de 10% no período.
Enquanto isso, o índice de inadimplência das grandes empresas caiu para 2,87%. No primeiro trimestre de 2025, a taxa estava em 3,71%.
Receitas de serviços avançam
As receitas com prestação de serviços cresceram 5,5% no trimestre e totalizaram R$ 8,8 bilhões.
O avanço ocorreu principalmente nas áreas de administração de fundos, seguros, previdência e consórcios.
Além disso, o Banco do Brasil encerrou março com ativos totais de R$ 2,6 trilhões. O índice de Basileia, indicador usado para medir a solidez financeira dos bancos, ficou em 14,23%.
Banco do Brasil anuncia pagamento de JCP
O banco também aprovou o pagamento de R$ 465,7 milhões em juros sobre capital próprio (JCP) aos acionistas. O valor corresponde a R$ 0,08157785203 por ação.
A instituição pagará os valores em 11 de junho de 2026 aos investidores com posição acionária em 1º de junho.
A partir de 2 de junho, as ações passarão a ser negociadas na condição “ex-direitos”.
Cenário para os bancos segue desafiador
O resultado do Banco do Brasil encerrou a temporada de balanços dos grandes bancos brasileiros no primeiro trimestre de 2026.
Os números reforçam o cenário de maior cautela no crédito rural. Juros elevados, desaceleração econômica e aumento das incertezas globais continuam pressionando o setor.
Ainda assim, o banco manteve crescimento em áreas consideradas estratégicas, como crédito consignado, serviços financeiros e consórcios.




























