O Méliuz registrou receita líquida recorde de R$ 118,2 milhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 18% em relação ao mesmo período do ano passado. Apesar do avanço operacional e da forte expansão da geração de caixa, a empresa encerrou o trimestre com prejuízo líquido de R$ 60,1 milhões, pressionada pelo impacto contábil das reservas em Bitcoin.
Os resultados foram divulgados na noite de quinta-feira (14) e refletem, segundo a companhia, o crescimento do negócio principal aliado à estratégia de acumulação de Bitcoin adotada desde março de 2025.
A área de Shopping Brasil, principal segmento do grupo, respondeu por parte relevante da expansão das receitas. O braço de cashback e compras online movimentou R$ 93,3 milhões no trimestre, avanço de 31% na comparação anual.
Além disso, o Ebitda ajustado — indicador utilizado pelo mercado para medir a geração operacional de caixa das empresas — atingiu R$ 30,1 milhões entre janeiro e março, crescimento de 74% sobre o mesmo intervalo de 2025. No acumulado de 12 meses, o indicador superou R$ 100 milhões pela primeira vez.
A margem Ebitda ajustada chegou a 25,5%, alta de 8,2 pontos percentuais em um ano e o maior nível já registrado pela companhia.
Crescimento operacional impulsiona resultados
Segundo o Méliuz, a expansão das receitas ocorreu principalmente por causa do desempenho do segmento de compras online. Ademais, a companhia ampliou sua eficiência operacional ao longo dos últimos trimestres.
Em carta aos acionistas, o CEO do Méliuz, Gabriel Loures, afirmou que a empresa pretende consolidar uma estratégia “AI First”, modelo em que a inteligência artificial se torna elemento central das decisões e processos corporativos.
De acordo com o executivo, a tecnologia acelerou a produtividade interna e ajudou a ampliar a velocidade de desenvolvimento da plataforma. Ele comparou o impacto da inteligência artificial ao uso de “diesel de aviação” nos negócios da companhia.
Estratégia com Bitcoin pressiona lucro líquido
Embora os indicadores operacionais tenham avançado, o resultado final sofreu impacto da desvalorização temporária das reservas em Bitcoin.
O Méliuz contabilizou perda de R$ 76,4 milhões relacionada ao ativo digital. Segundo a companhia, o efeito possui natureza contábil e não representa prejuízo realizado com venda de criptomoedas.
Ainda conforme o balanço, o lucro líquido ajustado teria alcançado R$ 16,3 milhões no trimestre sem o efeito do Bitcoin. O resultado representa crescimento de 36% na comparação anual.
Atualmente, o Méliuz mantém 604,7 Bitcoins em caixa, posição avaliada em aproximadamente R$ 215,4 milhões com base nas cotações recentes da criptomoeda.
Gabriel Loures afirmou que a empresa mantém confiança na estratégia de longo prazo envolvendo o ativo digital. Segundo ele, o crescimento operacional permite ampliar gradualmente a exposição ao Bitcoin.
“O resultado operacional é o que vai permitir comprar mais BTC ou recomprar mais ações”, afirmou o executivo.
Mercado acompanha volatilidade das ações CASH3
A estratégia de manter reservas em Bitcoin passou a influenciar diretamente o comportamento das ações CASH3 na B3.
Segundo o CEO, investidores acompanham em tempo real as oscilações da criptomoeda. Por isso, as ações da empresa costumam reagir rapidamente às variações do ativo digital.
Mesmo assim, Loures afirmou que o desempenho operacional do Méliuz diferencia a empresa de companhias ligadas exclusivamente ao mercado de criptoativos.
Recentemente, o UBS BB publicou relatório apontando melhora estrutural na operação do Méliuz. O banco destacou múltiplos considerados baixos para a companhia em relação à geração de caixa projetada para os próximos anos.
Principais números do Méliuz no 1T26
- Receita líquida: R$ 118,2 milhões (+18%)
- Ebitda ajustado: R$ 30,1 milhões (+74%)
- Margem Ebitda ajustada: 25,5%
- Lucro líquido ajustado: R$ 16,3 milhões (+36%)
- Prejuízo líquido contábil: R$ 60,1 milhões
- Impacto do Bitcoin no resultado: R$ 76,4 milhões
- Reservas em Bitcoin: 604,7 BTC
- Valor estimado da carteira: R$ 215,4 milhões




























