A poucos dias da aplicação provisória do acordo Mercosul–UE, representantes da indústria dos dois blocos participaram, na quinta-feira (23), do 1º Encontro de Alto Nível sobre Relações Econômicas Itália–Mercosul, em Roma. A Confindustria organizou o evento e reuniu dirigentes empresariais, entre eles o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban.
O encontro buscou transformar o acordo Mercosul–UE em resultados concretos. Nesse sentido, os participantes discutiram formas de ampliar investimentos e comércio. Segundo Alban, o diálogo direto entre as indústrias facilita a definição de prioridades. Além disso, ajuda a superar entraves e acelera a implementação do tratado.
Cooperação industrial e qualificação profissional
Durante o encontro, lideranças empresariais discutiram iniciativas de cooperação institucional. Entre elas, destacaram a ampliação de parcerias voltadas à qualificação profissional. Por exemplo, setores como têxtil, moda e couro concentram oportunidades imediatas.
Nesse contexto, os participantes mencionaram a atuação conjunta com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI). A entidade brasileira forma profissionais técnicos. Portanto, pode apoiar diretamente a capacitação em áreas estratégicas.
Ademais, os empresários analisaram caminhos para fortalecer a integração produtiva. Esse modelo permite que diferentes países participem de etapas complementares da produção. Ao mesmo tempo, eles discutiram a transição verde e a transformação digital. Esses processos envolvem práticas sustentáveis e o uso de tecnologia na indústria.
Relação comercial entre Brasil e Itália cresce
O encontro também destacou o avanço das relações comerciais entre Brasil e Itália. Dados da CNI, com base no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram que o fluxo bilateral alcançou US$ 12,4 bilhões em 2025. Assim, o valor representa crescimento de 14,4% em relação ao ano anterior.
A indústria de transformação mantém papel central nesse intercâmbio. O setor responde por parte relevante das exportações brasileiras. Por outro lado, concentra a maior parte das importações vindas da Itália.
Impacto econômico do acordo Mercosul–UE
Estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da Eurostat indicam que o acordo Mercosul–UE abrangerá mais de 718 milhões de consumidores. Além disso, o Produto Interno Bruto (PIB) conjunto chega a cerca de US$ 22,4 trilhões.
Na prática, o tratado reduz tarifas de importação de forma gradual. Cerca de 95% dos bens comercializados entre os blocos entram nesse processo. Para o Brasil, a expectativa aponta que 82,7% das exportações para a UE terão isenção tarifária já no início da vigência.
Além disso, o acordo inclui compromissos em desenvolvimento sustentável. Também promove a facilitação de comércio, que simplifica processos aduaneiros. Por fim, estabelece regras para proteção da propriedade intelectual.
Missão empresarial brasileira avança na Alemanha
Paralelamente ao encontro em Roma, uma missão empresarial brasileira cumpriu agenda na Alemanha. Na mesma quinta-feira (23), o grupo visitou uma unidade da Airbus, em Hamburgo, que produz aeronaves dos modelos A321 e A319.
A delegação, composta por 48 empresários, acompanhou etapas da montagem dos aviões. Ademais, conheceu processos industriais da fabricante europeia. Ao todo, mais de 260 representantes do setor produtivo brasileiro permaneceram no país até sexta-feira (24).
Por fim, a agenda incluiu participação na Hannover Messe. A feira é considerada a maior do mundo voltada à tecnologia industrial.




























