A atividade do setor de serviços no Brasil voltou a ganhar força em fevereiro, impulsionada pela melhora da demanda e pelo aumento de novos negócios. O PMI de serviços do Brasil, divulgado na quarta-feira (4) pela S&P Global, subiu para 53,1 pontos, ante 51,3 em janeiro, indicando expansão da atividade pelo quarto mês consecutivo.
O índice faz parte do levantamento mensal conhecido como PMI (Índice de Gerentes de Compras), indicador que mede a percepção de empresários sobre o desempenho do setor. Pela metodologia, resultados acima de 50 pontos indicam crescimento, enquanto níveis abaixo desse patamar sinalizam retração.
O avanço registrado em fevereiro reflete principalmente a recuperação da procura por serviços, o que favoreceu a geração de novos contratos e estimulou empresas a ampliar suas operações.
Demanda maior impulsiona novos negócios no setor de serviços
Segundo a pesquisa, o aumento da demanda levou à quarta expansão mensal consecutiva nos volumes de novos pedidos. Esse movimento contribuiu para a retomada das contratações no setor.
Após registrar queda em janeiro — a primeira em cinco meses — o nível de emprego voltou a crescer em fevereiro. A melhora sugere uma tentativa das empresas de acompanhar o aumento da atividade e atender novos clientes.
A pesquisa também mostrou uma redução nas pressões sobre os custos de insumos, que atingiram o menor nível em dois anos. Ainda assim, esses custos continuaram subindo em ritmo superior ao dos preços cobrados pelos serviços.
Entre os fatores apontados pelas empresas estão maiores despesas com mão de obra, aumento de impostos e encarecimento de diversos insumos, como produtos químicos, materiais de construção, alimentos, componentes elétricos, energia e itens de papel.
Preços ao consumidor continuam pressionados
Apesar da desaceleração no ritmo de aumento dos custos, parte das empresas seguiu repassando despesas ao consumidor. Como resultado, os preços cobrados pelos serviços atingiram o maior nível em três meses.
De acordo com Pollyanna De Lima, diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence, o movimento reflete um processo de ajuste que ainda está em andamento.
Segundo a economista, muitas empresas continuam tentando compensar os aumentos expressivos registrados no ano anterior. Assim, mesmo com a redução nas pressões sobre custos, os consumidores ainda enfrentam preços elevados.
Expectativas positivas para os próximos meses
As empresas consultadas demonstraram confiança em relação aos próximos 12 meses. Entre os fatores citados para sustentar o crescimento estão campanhas de publicidade, mudanças regulatórias, investimentos e lançamento de novos serviços.
Eventos internacionais também aparecem entre as expectativas do setor, especialmente a realização da Copa do Mundo FIFA, que pode impulsionar atividades ligadas a turismo, entretenimento e comércio.
Setor de serviços sustenta atividade do setor privado
O desempenho positivo do setor de serviços também impactou o resultado geral da economia privada brasileira. O PMI Composto do Brasil, que reúne dados de serviços e indústria, subiu para 51,3 pontos em fevereiro, ante 49,9 em janeiro.
O resultado indica retorno ao território de expansão após retração no início do ano. Ainda assim, o levantamento aponta um cenário misto: enquanto os serviços avançaram, a indústria registrou queda pela décima vez consecutiva.
Para analistas da S&P Global, a recuperação observada no setor de serviços traz algum alívio para a atividade econômica no curto prazo. No entanto, o ritmo de crescimento ainda sugere um primeiro trimestre moderado, sem sinais claros de aceleração mais forte da economia.






























