A inflação no Brasil voltou a mostrar sinais de pressão em março, ao mesmo tempo em que o mercado financeiro elevou as expectativas para juros e preços em 2026. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (23) pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e pelo Banco Central, por meio do Boletim Focus.
O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) subiu 0,46% na terceira quadrissemana de março, após avançar 0,26% na leitura anterior. No início do mês, a alta havia sido de apenas 0,04%. Com isso, o indicador acumula elevação de 3,25% em 12 meses.
Ao mesmo tempo, o mercado passou a projetar uma taxa Selic mais alta em 2026, além de revisar levemente para cima a expectativa de inflação oficial.
Inflação e Selic: alta dos preços ganha intensidade em março
A aceleração do IPC-S foi puxada, principalmente, pelo avanço em seis dos oito grupos analisados. Entre eles, destacam-se alimentação, transportes e despesas diversas.
No grupo alimentação, por exemplo, a variação passou de 0,62% para 1,10%. Esse movimento reflete, sobretudo, o aumento de preços de itens básicos, como o tomate. Além disso, o grupo transportes também registrou forte aceleração, ao sair de 0,33% para 0,85%, influenciado pela alta da gasolina.
Da mesma forma, outros segmentos apresentaram avanço, como vestuário e comunicação. Em contrapartida, houve desaceleração em saúde e cuidados pessoais, além de habitação, o que ajudou a limitar parcialmente a alta do índice.
Entre os principais impactos positivos, aparecem serviços de lazer, tarifas públicas e combustíveis. Por outro lado, quedas em passagens aéreas, perfumes e alguns alimentos contribuíram para conter o avanço mais intenso da inflação.
Inflação e Selic: mercado ajusta projeções para os próximos anos
Enquanto os dados de inflação de curto prazo mostram pressão, as expectativas para o médio prazo também foram revisadas. Segundo o Boletim Focus, a projeção para a Selic em 2026 subiu de 12,25% para 12,50%.
A Selic é a taxa básica de juros da economia e influencia diretamente o custo do crédito e o retorno de investimentos. Em geral, quando está mais alta, tende a reduzir a inflação. No entanto, também pode desacelerar o crescimento econômico.
Além disso, a expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 avançou de 4,10% para 4,17%. Para os anos seguintes, as projeções permaneceram praticamente estáveis, com pequenas variações.
PIB e câmbio: ajustes leves nas estimativas
No campo da atividade econômica, o mercado elevou marginalmente a previsão de crescimento para 2026. Agora, a expectativa é de alta de 1,84% no Produto Interno Bruto (PIB), ligeiramente acima da projeção anterior.
O PIB representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no país. Portanto, funciona como um termômetro da atividade econômica.
Em relação ao câmbio, as projeções seguem estáveis no curto prazo. O dólar deve encerrar 2026 cotado a R$ 5,40. Já para 2027, houve leve revisão para baixo.
Cenário econômico exige atenção à inflação e aos juros
Diante desse conjunto de dados, o cenário indica desafios para a política econômica. Isso porque a inflação mais pressionada no curto prazo, somada à elevação das expectativas de juros, sugere um ambiente mais restritivo.
Nesse contexto, o comportamento dos preços e das projeções será determinante para as próximas decisões de política monetária. Assim, o mercado deve seguir atento aos indicadores e às sinalizações do Banco Central nos próximos meses.





























