O lucro anual da BYD recuou pela primeira vez em quatro anos, refletindo o enfraquecimento das vendas na China e o aumento da concorrência no setor de veículos elétricos. A montadora chinesa informou, na sexta-feira (28), que o lucro líquido caiu 19% em 2025, totalizando 32,6 bilhões de yuans (cerca de US$ 4,72 bilhões). O resultado ficou abaixo das expectativas do mercado e marca uma inflexão relevante para a empresa, que vinha de um ciclo de forte expansão.
De acordo com dados compilados pela London Stock Exchange Group (LSEG), analistas projetavam uma retração menor, de 12,1%. O desempenho reforça sinais de desaceleração no maior mercado automotivo do mundo, pressionado por demanda mais fraca e competição acirrada.
Concorrência e queda nas vendas pressionam resultados
O recuo do lucro anual da BYD lucro ocorre em um contexto de perda de participação de mercado. Embora tenha liderado as vendas na China em 2025, a montadora caiu para a quarta posição no primeiro bimestre de 2026, após registrar sua maior retração desde o período da pandemia.
Rivais domésticas como Leapmotor e Geely vêm avançando, reduzindo a vantagem tecnológica da BYD. Ao mesmo tempo, a receita da empresa cresceu apenas 3,5% no ano passado, o ritmo mais baixo em seis anos.
Outro indicador relevante foi a redução de 10,2% no quadro de funcionários, encerrando 2025 com cerca de 869 mil trabalhadores. Trata-se do primeiro corte dessa magnitude já registrado pela companhia, sinalizando ajuste operacional diante do novo cenário.
Margens em queda e desafios para 2026
Além da queda no lucro, a rentabilidade também foi impactada. A margem de lucro bruto — indicador que mostra quanto a empresa ganha após descontar custos de produção — recuou para 20,5%, queda de 1,8 ponto percentual na comparação anual.
No quarto trimestre, o lucro caiu 38,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, atingindo 9,3 bilhões de yuans. Foi o terceiro trimestre consecutivo de retração, evidenciando uma tendência de pressão contínua sobre os resultados.
Segundo analistas, o ambiente competitivo deve permanecer desafiador em 2026. A combinação de demanda doméstica mais fraca e disputa intensa por preços tende a limitar a recuperação no curto prazo.
Estratégia aposta em tecnologia e expansão global
Apesar do cenário adverso, a BYD mantém a estratégia de crescimento baseada em inovação e expansão internacional. O presidente da companhia, Wang Chuanfu, afirmou que o setor vive um momento de competição extrema, com empresas disputando espaço de forma agressiva.
Para reagir, a montadora lançou 11 novos modelos equipados com baterias de carregamento mais rápido e anunciou a ampliação da rede de recarga. A iniciativa busca melhorar a competitividade em preço e eficiência — fatores decisivos para o consumidor.
Ainda assim, especialistas avaliam que a estratégia pode ter efeito limitado no curto prazo, já que o mercado chinês tem priorizado veículos mais acessíveis.
Enquanto isso, concorrentes seguem apresentando desempenho mais robusto. A Geely reportou crescimento de 36% no lucro líquido em 2025, enquanto a Xpeng registrou seu primeiro resultado trimestral positivo.
Setor segue com apoio, mas enfrenta nova fase
Mesmo com forte incentivo governamental à eletrificação da frota, o setor de veículos elétricos entra em uma fase mais seletiva. A escala de produção, o controle de custos e a presença global passam a ser determinantes para a sustentabilidade dos resultados.
Nesse contexto, o desempenho recente da BYD sinaliza uma mudança de ciclo. Após anos de crescimento acelerado, a companhia agora enfrenta o desafio de manter competitividade em um mercado mais maduro e disputado.





























